terça-feira, setembro 04, 2007


Só hoje pude, finalmente, conciliar a minha vida profissional, familiar e pedaços de férias que ficaram espalhados pelo resto dos dias. Pronta para mais uma caminhada convosco e com... calma. Até já.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Meus amigos também vou de férias.

Desejo a todos, quer estejam ou não em férias, calma e boa disposição, uma boa dose de optimismo e façam tudo para ser felizes. Vale a pena a tentativa.

Como sempre...levo-vos no coração.

Até breve.


Les Négresses Vertes, grupo de rock francês criado em 1987, cantam - Voilá L'Été.




Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas, reconheço, ao medir-me,
Que tudo isto é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa - Cancioneiro (18/09/1933)

terça-feira, julho 31, 2007

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen - Liberdade

sábado, julho 28, 2007


Hoje deixo-vos o Fausto com a canção -Por este rio acima - do album Por este rio acima de 1984. Também é um dos meus preferidos.
Desejo-vos um bom fim de semana, ou de férias, mas o que fizerem que seja com muita felicidade.

sexta-feira, julho 27, 2007

Hoje venho só trazer-vos estes amores-perfeitos.
Amanhã o blogue voltará a ter mais animação.
Foram dois dias de muito trabalho que impediram a minha dedicação ao Com Calma.

terça-feira, julho 24, 2007

Hoje é dia de Trabalhos de Casa.

As minhas Amigas lançaram-me um desafio, aliás, dois desafios.
Comecemos pela Carminda.

O desafio dela consiste no seguinte:
"Cada pessoa escreve sete factos casuais sobre a sua vida. Passa o desafio a outras sete."

É um pouco difícil falar de mim própria, não me considero um tema assim tão interessante.
Mesmo assim vou tentar.

-Tenho pavor de andar de avião
-Bebo café e chá sem açucar.
-Gosto muito de comida japonesa, há já muitos anos.
-Tenho uma relação péssima com os pontos cardeais.
-Gosto de Sol, Música, Livros.
-Não suporto barulho; pessoas que falem muito alto.
-Odeio ver pessoas a deitarem lixo para o chão. De dentro dos carros.Abrem a janela e lá vai lixo. Até os macacos do nariz já vi deitarem fora. Disgusting!


E extra corrente: Adoro a vida ! Adora a boa disposição. Adoro espectáculos musicais.

E pronto. agora vou passar ao segundo desafio.

Este foi-me proposto pela Meg e trata-se de indicar "Os livros da minha vida"
Possivelmente não serão os livros da minha vida, mas fizeram parte dela e gostei muito de os ler.
Principalmente porque, alguns, li às minhas filhas, quando eram mais pequenas.

Os capitães da areia - Jorge Amado
Quase todos de José Rodrigues Miguéis
Serioja - Vera Panova
Platero e eu - Juan Ramon Jimenez
Féeries dans l'ile - Gerald Durrell

Já repararam que não nomeei ninguém tanto num com noutro desafio.
E explico porquê. Estas correntes são engraçadas mas começam a ser demasiadas.
Com a proliferação acabam por se banalizar e consequentemente por cansar.
Como a Meg, muito bem diz, também fico por aqui. Agradeço a gentileza, generosidade de quem me nomeia, contudo prefiro dar um espaço e descansar um pouco.
Do fundo do coração agradeço, sinceramente.


sexta-feira, julho 20, 2007



Desejo-vos um bom fim de semana. Boas férias para quem está de férias.
Estão a ouvir um grupo reggae francês Tryo . O nome da canção é: J'ai trouvé des amis.
Façam tudo para ser felizes.



quarta-feira, julho 18, 2007

Aprendeu a separar o nocturno zinabre
do transumante desejo e poro a poro o dia
larga sobre a pele os perfumes da terra
e o tempo cobre-se de cardos em cinza

tem o olhar escondido na inquietação da luz
guarda no peito o sossego dormente das pedras
um ombro de sombra dá-lhe frescor à boca

mas se ao morrer o abrissem ao meio
nada encontrariam
nem vísceras nem ossos nem sangue
apenas poalha de água
e a dor da infindável travessia

Al Berto (1948-1997) - O Medo

sábado, julho 14, 2007


Lisboa que amanhece - Sérgio Godinho com Caetano Veloso.
Do album - O irmão do Meio .
Meus amigos venho desejar-vos a continução de um bom fim de semana.

quinta-feira, julho 12, 2007


Conforme prometido aqui estou com a indicação dos blogues que me proporcionam momentos de excelência. É evidente que nesta escolha há também uma ligação afectiva muito forte (Forum Cidadania e Recalcitrante).

" Prémio Blog 'MomentUS de Excelência': a atribuir pela excelência do que é dito e de como é dito- pelas palavras, pela música, pelas reflexões, pelas imagens, pelos desafios,pela solidariedade, pela vida partilhada..."

A minha amiga Carminda do Forum Cidadania.

A minha amiga Meg do Recalcitrante

André Benjamim

Blogue do Pisca

Raim

De la parte de la Berlanga

E, por hoje, é tudo meus amigos.
A Maria Faia, do blogue Querubim Peregrino, honrou-me com a nomeação para o Momentus de Excelência. Estou muito grata e vou tentar estar à altura desta nomeação.

Como é de regra terei que nomear os blogues que continuarão esta cadeia. Que será feita amanhã. Peço desculpa, mas vou precisar de mais tempo para decidir.

Fotografia do Rio Guadiana entre Juromenha e Elvas.


segunda-feira, julho 09, 2007

Carlos Botelho - Cais das Colunas 1932


Carlos Botelho - Cais das Colunas 1942


Carlos Botelho , pintor português (Lisboa 1899-1982).
Foi o pintor de Lisboa que retratou em tonalidades doces, despovoada e silenciosa.
A T. do Dias que Voam, há tempos , insurgiu-se por nos terem tirado o Cais das Colunas.
Eu também sinto a sua falta . Enquanto não o temos de volta , recordemo-lo através das pinturas de Carlos Botelho.

sábado, julho 07, 2007




Mais uma interpretação maravihosa da canção Summertime, de Gershwin, por Angélique Kidjo.

Com esta paisagem idílica do rio Tejo, em Constância, vos deixo desejando-vos um óptimo fim de semana.

sexta-feira, julho 06, 2007

A minha Amiga Carminda voltou a nomear-me, desta vez, para o "Blogue com Grelos" que me deixa enternecida e grata.

Como acontece, nestas nomeações, terei que escolher cinco blogues que se enquadrem na definição subjacente ao título.

As minhas escolhas vêm , a maior parte, de visitantes e amigas do Ludovicos Rex que visito com alguma assiduidade.

Elas que me perdoem a ousadia:

Querubim Peregrino

Era uma casa muito engraçada

Cantares de Amigo

Baobab

Bicho de conta


O "Blogue com Grelos" premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor."

E pronto, missão cumprida.

quinta-feira, julho 05, 2007

Uma criança perguntou O que é a erva? trazendo-ma nas suas mãos cheias;
Como poderia responder-lhe? eu que não sei mais do que ela.

Talvez seja a bandeira da minha índole, de matéria verde tecida.

Ou talvez seja o lenço do Senhor,
Uma perfumada prenda, uma lembrança que intencionalmente cai,
Com o nome do seu dono num dos cantos, para que ao vê-lo perguntemos
...............De quem é ?

Ou talvez a própria erva seja uma criança, um filho da vegetação.
...

Walt Whitman - Canto de mim mesmo VI (excerto)
(tradução de José Agostinho Baptista)

terça-feira, julho 03, 2007



É verão. Fluem abandonos.
Estão na sesta os arvoredos.
Por entre calores e sonos
tentilhões em ramos quedos.
.
Liberal a luz, no dia
abre um painel de centelhas:
e na água que esfuzia
mais de azul se azuleja.
.
Do céu fúlgido um cateto
cai em âmbar no pinhal.
Um aroma calado. E perto
transcorre um deus fluvial.
.
Entre a folhagem um tom
remoto de areias fulvas.
Amplo, o silêncio dispõe
ramagens, relvas e uvas.
.
No terraço, em ofertório
de carnação rosicler.
está pelo seu cabelo louro
atada ao sol a mulher.
.
Natália Correia - Verão
Castelo de Almourol










sexta-feira, junho 29, 2007





Desejo a todos um bom fim de semana.


Paolo Conte compôs e canta Via con me.



quarta-feira, junho 27, 2007

...
Não posso
ficar sentado.
Até logo.
Amanhã
ver-nos-emos.
Hoje tenho muitas
batalhas a vencer.
Muitas sombras
para destruir e dissipar.
Hoje não posso
estar contigo, tenho
de cumprir a minha obrigação
de luz:
calcorrear as ruas,
visitar as casas e os homens,
destruir
a escuridão. Tenho
que me repartir
até que tudo seja dia,
até que tudo seja claridade
e alegria na terra.

Pablo Neruda - excertos de Ode à Claridade.

Fotografia de um miradouro em Elvas.

terça-feira, junho 26, 2007

Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande a terra é larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há sol.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - O guardador de Rebanhos - XXVII

Fotografia tirada do Castelo de Juromenha, uma aldeia perto de Elvas. Tem uma paisagem belíssima com o rio Guadiana em destaque.

sábado, junho 23, 2007





Desejo-vos um bom fim de semana, com muito sol.
Trio Esperança cantando a capela: Gold herança.



quarta-feira, junho 20, 2007

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer .

Eugénio de Andrade - Urgentemente

sábado, junho 16, 2007

Meus amigos eis-me de volta ao Com Calma.

Durante este mês, em que estive ausente, este blogue foi nomeado com um Meme pelo Atento do MGomes e mais um Thinking Blog Award pelo Dias Que Voam.

São dois blogues que muito aprecio daí a minha enorme alegria.
Muito obrigada meus amigos.

Cumprindo o ritual irei dar a minha contribuição para o Meme, falando de José Rodrigues Miguéis e de Lisboa minha cidade.

José Rodrigues Miguéis nasceu em Lisboa em 1901 e morre em Nova Iorque em 1980.
Escreveu contos, romances, novelas e peças de teatro.
Páscoa Feliz - 1932 - foi distinguido com o Prémio Casa da Imprensa.
Leah e outras Histórias - 1958 - Prémio Camilo Castelo Branco.
Conheço, praticamente, toda a sua obra, mas o livro que mais me emociona é este Escola do Paraíso. Miguéis é um escritor de Lisboa, descreve-a com a saudade de um exilado, tornando-a mais bela aos nossos olhos




Na infância viveu entre o Castelo e a Sé.
São dele estas palavras tiradas deste Escola do Paraíso:
" O sol rutila, escorre-se como um mel pelos telhados, polvilha gloriosamente o Tejo, lago sereno, com velas brancas e vermelhas, de longe indolentes, distantes como nostalgia. E logo abaixo do Castelo, as traseiras encostam a São Tiago e aos Loyos."
"È Lisboa, uma realidade em si, e será preciso tê-la conhecido e vivido nela para bem a compreender e amar."
Vivi longos anos longe da minha cidade, por isso o compreendo.
E agora os nomeados para continuarem com este desafio tão interessante:
Quanto ao Thinking Blog Award, não faço mais nomeações por ter já feito da primeira vez.
A todos um bom fim de semana.




quinta-feira, maio 17, 2007

O meu cão

A minha cadela
Meus Amigos
Mais uma vez interrompo o Com Calma..., por algum tempo. Três semanas, quatro... não sei.
Preciso de disponibilidade de afecto para o fazer e, nesta altura, todo o meu afecto está concentrado numa pessoa que mais precisa dele.
Deixo aqui os meus queridos VLP*, que são uma ternura.
Levo-vos no coração.
Até lá. Fiquem bem.
(*VLP = Vira lata Puro)

segunda-feira, maio 14, 2007


Tinha os olhos abertos mas não via.
O corpo todo era saudade
de alguém que o modelara e não sabia
que o tocara de maio e claridade.
.
Parava o seu gesto onde pára tudo:
no limiar das coisas por saber;
- e ficara surdo e cego e mudo
para que tudo fosse grave no seu ser.
.
Eugénio de Andrade - O anjo de pedra

sábado, maio 12, 2007

Deixo-vos a beleza efémera da borboleta.
Um bom e descansado fim de semana para todos.

quinta-feira, maio 10, 2007




Quem pode impedir a Primavera
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à vida?
.
.
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
-Mudas comparsas no ritmo das estações -
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um mar infinito onde o arado
Abre caminhos misteriosos à seiva inquieta!
.
.
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos!
.
.
Quem ?..
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!
.
.
Rui Cinatti - (Quem pode impedir a Primavera)


terça-feira, maio 08, 2007

Contaram-me, quando era pequeno,
a história de várias estrelas,
não a história dos nomes que têm e não conhecem por nós,
sim uma história em que eram estrelas,
verdadeiras estrelas nem pregadas no céu.

Muitas vezes, ouvir contar foi só:
estar de cabeça pousada no peitoril da janela
a vê-las tremeluzir...
e tornarem-se mais salientes com o escurecer.

Muitas vezes, foi só
aceitar o frio e fechar a janela
- e, em pequeno, não era eu quem a fechava.

Jorge de Sena - Nocturnos III

sexta-feira, maio 04, 2007


Já que a Primavera não vem ter connosco, vamos nós ter com ela.
Bom fim de semana para todos.





Marvão, Alto Alentejo.
A origem do seu nome está ligada ao chefe mouro Maruan.
A paisagem é constrastante, entre os vales verdejantes e as imensas massas rochosas
na serra. Vale a pena o passeio. A paisagem é soberba.
Neste momento Marvão encontra-se em fase de remodelação das redes de electricidade, gás e TV Cabo, com todos os inconvenientes que isso acarreta. Portanto se decidir visitá-la deve levar calçado bem confortável e sólido. Há tanto para ver e tão bonito, que nem vai dar pelo incómodo.

quarta-feira, maio 02, 2007

Pombinha a correr...

Pombinha a correr muito...


Quem corre por gosto, não cansa.

terça-feira, maio 01, 2007

Cantar não é talvez suficiente.
Não porque não acendam de repente as noites
tuas palavras irmãs do fogo
mas só porque palavras são
apenas chama e vento.

Eu venho incomodar.
Trago palavras como bofetadas
e é inútil mandarem-me calar
porque a minha canção não fica no papel.
Eu venho tocar os sinos.
Planto espadas e transformo destinos.

Os homens ouvem-me cantar
e a pele
dos homens fica arrepiada.
E depois é madrugada
dentro dos homens onde ponho
uma espingarda e um sonho.

E é inútil mandarem-me calar.
De certo modo sou um guerrilheiro
que traz a tiracolo
uma espingarda carregada de poemas
ou se preferem sou um marinheiro
que traz o mar ao colo
e meteu um navio pela terra dentro
e pendurou depois no vento
uma canção.

Já disse: planto espadas
e transformo destinos.
E para isso basta-me tocar os sinos
que cada homem tem no coração.

Manuel Alegre - Apresentação - Praça da Canção I

Fotografia- Igreja de S.João Baptista e Torre de Menagem em Castelo de Vide