quinta-feira, fevereiro 14, 2008







Rio Tejo - Belém no domingo passado.
LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original,
E a brisa , essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta,
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa /Cancioneiro



segunda-feira, fevereiro 11, 2008




A minha amiga Carminda, generosamente, voltou a conceder-me um prémio. Desta vez dirigido a "Uma mulher que faz pensar".


Que grande responsabilidade. Já disse à Carminda que se eu existo é porque os meus amigos existem, logo são eles que me fazem pensar. Fico eternamente grata.


Para corresponder a esta prova de amizade, ofereço estas rosas, com muita amizade, à Carminda solidária, lutadora e fraterna.

sábado, fevereiro 09, 2008

Praia Fernão Veloso - Moçambique

Praia Fernão Veloso - Moçambique.

Pôr de sol moçambicano.


Tenho saudades das praias de Moçambique.

Andei pelo Xai-Xai, Cidade da Beira, Tofo em Inhambane , Ponta do Ouro, mas a que mais me seduziu foi a praia do Bilene. Fazíamos aproximadamente 400 quilómetros para ir e voltar.
Na altura, era uma extensão de areia branquíssima e fina. A água era calma e transparente a perder de vista. Uma paisagem de sonho.

Voltei a Moçambique em 1997, em trabalho. Dessa viagem vos mostro algumas fotografias da praia Fernão Veloso, perto de Nacala. Em Fernão Veloso fomos mesmo à praia. O Platero tinha andado a tomar banho frio todos os dias, porque primeiro tomavam banho as mulheres e quando chegava a vez dele, já não havia água quente. Quando ele se apanha dentro das águas cálidas do Índico desata aos pulos a gritar: " Água quente, água quente finalmente!"

Para todos vós, meus amigos um óptimo fim de semana e não se esqueçam de ser muito felizes.
(Fotografias de Platero)

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Liberdade
"Je suis né pour te connaìtre
pour te nommer
Liberté"
.........Paul Eluard
Sobre esta página escrevo
teu nome que no peito trago escrito
laranja verde limão
amargo e doce o teu nome.
.
Sobre esta página escrevo
o teu nome de muitos nomes feito
água e fogo lenha vento
primavera pátria exílio.
.
Teu nome onde exilado habito e canto
mais do que nome: navio
onde já fui marinheiro
naufragado no teu nome.
.
Sobre esta página escrevo
o teu nome tempestade.
E mais do que nome: sangue.
Amor e morte. Navio.
.
Esta chama ateada no meu peito
por quem morro por quem vivo
este nome rosa e cardo
por quem livre sou cativo.
.
Sobre esta página escrevo
o teu nome: liberdade.
.
.
Manuel Alegre - Praça da Canção
Je

sábado, fevereiro 02, 2008




...
Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.
...
Fernando Pessoa/Ricardo dos Reis - Odes (Excerto)
(Fotografia tirada nos Viveiros Batalha - Carrasqueira de Cima, Achada)
Meus amigos desejo-vos um excelente fim de semana.



quinta-feira, janeiro 31, 2008





Só a música define o indefinido, sem ele deixar de ser indefinido; e a matemática calcula o que permanece incalculável; e a poesia canta o silêncio, que se conserva silencioso.
Teixeira de Pascoaes - Aforismos

segunda-feira, janeiro 28, 2008



Ponto: Intersecção de duas linhas.


Ponto de admiração.

Ponto de interrogação.


Ponto de encontro: Olá amigos, boa semana.



sábado, janeiro 26, 2008

Não tinha ideia.
Escolhi a paz.


A verdade e a beleza
deixei-as ir,
e também a sageza e a nostalgia -
até o amor,
que tão embevecido me olhava,
negras nuvens com ele se deslocavam.


Paz, era paz.
E nos recônditos da minha alma
dançavam seres
de que nunca tinha sequer ouvido!


E no céu pendia um outro sol.


Toon Tellegen (n.1941) - Eu podia escolher
Tradução: Fernando Venâncio
(In Rosa do Mundo)


Para todos um óptimo fim de semana.

terça-feira, janeiro 22, 2008

A minha querida amiga Carminda, mais uma vez, me dedicou um prémio.


Desta vez o "Prémio da Amizade Virtual"

Fico muito feliz e grata por fazer parte dos seus amigos virtuais.
Como considero todos os que me visitam meus amigos por isso lhes dedico este Prémio também.

sábado, janeiro 19, 2008

Tour Eiffel

Champs Éliysées


Bateau-mouche


Tenho saudades de Paris.
Depois de Lisboa é a cidade onde gostaria de viver.
Gosto dela, principalmente na Primavera.
Deixo-vos com esta recordação melancólica..
Um óptimo fim de semana para todos.
(Fotografias de Platero)


quinta-feira, janeiro 17, 2008




A única pessoa que muda de verdade a face do planeta é aquele que lavra modestamente o seu terreno.

Ramon Gomez de la Serna (1888-1963) - Greguerias

segunda-feira, janeiro 14, 2008




Era Pedro e sobre essa pedra
Ergueu-se o templo do amor atroz.
Ele de fogo; ela a cordeira
Toda a cordura chamando o algoz.


Sangram as tubas: Inês é morta!
Em meigo mito transmuta-a o pranto
Do ermo amante que erra sózinho
No seu deserto de diamantes.


Num ar sangrento buscam os seus olhos
Do corpo amado desfeitas pérolas;
E como fera coroa os ossos
Da formosura que ao alto o espera.


E em desatino de paixão lusa,
Perdida a alma que em Inês tinha,
O fim do mundo ficou esperando
Aos pés da morta, sua raínha.


Natália Correia - Até ao fim do mundo

(In Inês de Portugal, album de uma exposição de pintura de Mário Silva, Janeiro de 1984)

sexta-feira, janeiro 11, 2008



Escrevendo quis eu
Salvar a minha alma
Tentei fazer versos
Não consegui.
Tentei contar histórias
Não consegui.
Não se pode escrever
Para salvar a alma.
A rendida parte à deriva e canta.
Marie Luise Kaschnitz - Escrevendo

Tradução: Paulo Quintela
In Rosa do Mundo

Meus amigos desejo-vos um bom fim de semana.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Ó Tejo das asas largas
Pássaro lindo que se ouve em todas as ruas de Lisboa
Ó coroa de uma cidade maravilhosa
Ó manto célebre nas cortes do mundo inteiro
Faixa antiga duma cidade mourisca
Fénix astro caravela líquida
Silêncio marulhante das coisas que vão acontecer
Deliszar sem desastres sem fado sem presságio
Tu o majestoso ó Rei ó simplicidade das coisa belíssimas
Nas tardes em que o sol te queima passo junto de ti
E chamo-te numa voz sem palavras marejadas de lágrimas
Meu irmão mais velho

Alberto de Lacerda - Hino ao Tejo

sexta-feira, janeiro 04, 2008







Belém - Lisboa

Cada um está só sobre o coração da terra
Trespassado por um raio de sol:
E de repente é noite.
Salvatore Quasimodo ( 1901- 1968) - E de repente é noite
Tradução: Ernesto Sampaio
In Rosa do Mundo

Meus amigos, um bom fim de semana para todos.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz Ano Novo!
Desejo a todos os amigos/as e visitantes um 2008 cheio de Paz, Saúde, Alegria.
Até para o ano, amigos. Tchim...Tchim...

quinta-feira, dezembro 27, 2007







E todos nós vivemos, não por algum carinho
que possamos ter por nós próprios,mas
pelo amor daqueles que nos rodeiam.

Tolstoi (1828-1910)
Na minha Música:
Marisa Monte
Canção: Chuva no Brejo
Album: Barulhinho Bom

domingo, dezembro 16, 2007

Pormenor do Presépio na Basílica da Estrêla da autoria de Machado de Castro.

Meus caros amigos venho desejar-vos um Santo Natal.
Volto para a semana. Fiquem bem.
Que o vosso sapatinho fique repleto de coisa boas: Muita paz, muito amor e muita felicidade.
Boas Festas para todos.

Na Minha Música:
Frank Sinatra interpreta "The Little Drummer Boy"


quinta-feira, dezembro 13, 2007







É o fim do Outono. Em breve esta folhagem quente cairá.
Este tom rubro , dourado e amarelo dará lugar ao cinzento Inverno.
A Natureza despede-se de nós em beleza e também ela descansará.
Mas alegrem-se, amigos, dentro de quinze dias, mais ou menos, ...os dias começam a ser maiores.

terça-feira, dezembro 11, 2007









...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas os Pais Natal, Senhor
Porque lhes dais tanta dor?...
Porque padecem assim?
...
Adaptação do poema de Augusto Gil, tão nosso conhecido.

Ventoinhas

Andava à procura na Net de leques e fiz uma pesquisa utilizando a palavra em inglês fan, que é a mesma para leque e ventoinha e cheguei a um site intressante que vende um sem número de ventoinhas de tecto.

Este ano com um Verão tão prolongado e para quem não goste muito de ar condicionado, ou como eu com perto de um aparelho destes fico logo com o nariz entupido e com ínicio de rouquidão, teria sido interessante ter uma ventoinha de tecto.

Lembro-me há uns anos fui em viagem de trabalho a Moçambique e fiquei num quarto com uma ventoinha de tecto e digo-vos foi uma noite excelente, pois quando temos ventoinhas de pé o fluxo de ar é muito directo, mas estas tem a particularidade de espalharem o ar fresco por toda a sala, sem aquela sensação de jacto de ar.

Depois o que achei ainda melhor é a variedade de ventoinhas à venda, Casablanca, Craftmade, Ellington, Fanimation, Hunter Fan Company, Luceplan, Matthews Fans, Minka Aire, Modern Fan Company, Monte Carlo, NuTone, Quorum e Westinghouse.

Ou seja há uma grande escolha de acordo com o tipo de casa que se tenha, em cima ficam os links para possível escolha do tipo de ventoinha que mais agrade.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Cisne no Jardim da Estrêla em Lisboa.

Meus amigos venho desejar-vos um bom fim de semana.
Tudo de bom para vós e não se esqueçam de ser muito felizes.


Na Minha Música:
Canção: Daydream
Grupo: Lovin'Spoonful
(Um clássico da era Flower Power)

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - Guardador de Rebanhos - XIV

terça-feira, dezembro 04, 2007

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo
........................................ em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente

Sophia de Mello Breyner Andresen - Eis-me