terça-feira, julho 28, 2009




Furnas - Ericeira


Sou poeta,
Vou de poeta,
E são versos que sei,
Versos, pois, vos direi,
Ouvintes verdadeiros!
O mar também só diz
O que sabe:
Que não cabe
Nos abissais sepulcros onde mora,
E por isso transborda o sofrimento
Em ondas de ilusão - versos em movimento,
Que o infinito lê e a solidão decora.

Miguel Torga - Missão

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sábado, julho 25, 2009






Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...


Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - Obra Poética

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terça-feira, julho 21, 2009

sexta-feira, julho 17, 2009




Flor silvestre




Existe em mim - não sei o que é - mas sei que está em mim.

Torcido e suado, o meu corpo fica calmo e fresco,
Durmo, durmo muito tempo.

Não o conheço - não tem nome - é uma palavra que se não pronuncia,
Não se encontra em nenhum dicionário, voz, símbolo.

Oscila sobre qualquer coisa que é mais do que a terra sobre a qual oscilo,
A criação é a amiga cujo abraço me desperta.

Talvez pudesse dizer mais. Esboços! Suplico pelos meus irmãos e irmãs.

Compreendeis, ó meus irmãos e irmãs?
Não é o caos nem a morte - é a forma, união, plano, é a vida eterna,
é a Felicidade.


Walt Whitman - Canto de mim mesmo (50)

Trad.: Maria de Lourdes Guimarães (Círculo de Leitores)

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quarta-feira, julho 15, 2009






Meti o bivaque na gaiola
e saí com um pássaro na cabeça
Então não se faz a continência
perguntou o comandante
Não
não se faz a continência
respondeu o pássaro
Ah bom
desculpe julgava que se fazia a continência
disse o comandante
Ora essa toda a gente se pode enganar
disse o pássaro.

Jacques Prévert - Bairro Livre


Trad.: Eugénio de Andrade

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terça-feira, julho 14, 2009


Lá vai ela, lá vai ela
A borboleta no ar
Lá vai ela, como é bela
Lá vai ela, lá vai ela
É uma flor a voar

Borboleta voadora,
Borboleta fugidia,
Às vezes só vive um dia,
Às vezes só uma hora...
Mas que hora de alegria.

Borboleta - Canção infantil/Portugal


Que maravilhosas recordações me traz esta canção infantil, e do grupo coral do qual fiz parte enquanto andei no Liceu.
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quinta-feira, julho 09, 2009





Ainda que lhes arranques as pétalas, não tirarás às flores, a sua beleza.


Rabindranath Tagore (1861-1941) Filósofo e escritor Indiano.

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segunda-feira, julho 06, 2009




O misterioso desaparecimento das abelhas



Segundo algumas notícias notou-se um misterioso desaparecimento de abelhas, tanto nos Estados Unidos como na Europa.
Se a abelha desaparecer da superfície do planeta, então, ao homem, restarão apenas quatro anos de vida.

Com o fim das abelhas, acaba a polinização, acabam as plantas, acabam os animais, acaba o homem.

Mas, onde tirei estas fotografias, na zona Oeste, elas continuam bem presentes e activas.

A polinização teve resultados surpreendentes. Uma produção de maracujás maior do que o ano anterior.

As flores do maracujá são grandes, por isso requerem abelhas maiores para que o pólen contido nas suas anteras passe ao dorso da abelha e daí até ao estigma da outra flor.

É um verdadeiro espectáculo de som e cor. Porque os bzzz delas são bem sonoros.

Portanto, proteja as abelhas.

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sexta-feira, julho 03, 2009











Orquídea (Phalaenopsis)



Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?
Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos se voltassem.


Jorge de Sena - Fidelidade



Os prémios são como as cerejas, vêm assim todos ligados uns aos outros. Ainda não estamos refeitos da surpresa de recebermos um e eis que logo vem outro tão ou mais interessante do que o anterior.
A minha amiga Ana, tem esta generosidade de se lembrar de mim e eu agradeço muito, embora reconheça com alguma humildade, não estar à altura da qualidade dos prémios. Mas aceito pela muita amizade que a Ana merece.

Os meus amigos poderão levar o prémio caso o desejem. É vosso também.

"O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogues que demonstram talento, seja nas letras, artes, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores".

Mais uma vez muito obrigada, Aninha.

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segunda-feira, junho 29, 2009



Despedida de Junho e Santos Populares.

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sexta-feira, junho 26, 2009





Fuchsia - Brincos de Princesa



Afirmam que a vida é breve,
Engano - a vida é comprida:
Cabe nela amor eterno
E ainda sobeja vida.


António Botto - Pequenas Esculturas (19)

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terça-feira, junho 23, 2009



Ornithogalum arabicum - Estrela de Belém


Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Porque havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as finas pedras
que não sabem de água e de ar.



Cecília Meireles (1901-1964)

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