terça-feira, novembro 03, 2009
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão como sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Fernando Pessoa - Lisboa (1888-1935)
sexta-feira, outubro 30, 2009
Convento dos Capuchos da Serra de Sintra
O Convento dos Capuchos que originalmente se chamou de Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra foi obra de D.João de Castro e seu filho D.Álvaro de Castro, no sec. XVI.
Quando visitamos este convento impressiona-nos a extrema pobreza em que viviam os frades Capuchinhos.
O Convento foi construído aproveitando reentrâncias nas rochas graníticas existentes. Movimentamo-nos lá dentro como num labirinto.
As celas dos frades eram exíguas. Para entrarem os frades tinham que se ajoelhar por as portas serem propositadamente baixas, por respeito e reverência a Deus.
Mesmo com sol a rodos , lá dentro há sempre um ar pardacento. As portas e tectos são forradas a cortiça para evitar a humidade.
Nota-se ainda a existência de uma biblioteca, herbário, enfermaria ou o que resta delas. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, todo o espaço foi vandalizado.
Os frades viviam com parcos recursos, com ausência total de conforto ou luxos. Mas no meio de tanta austeridade, penitência e desapego aos valores materiais há um pormenor que me intriga. Apesar dos roubos ao longo dos séculos ainda há vestígios de cerâmica chinesa, a Companhia das Índias, em algumas paredes. Ainda se podem ver dois pratos intactos e alguns fragmentos dessa louça incrustada em algumas paredes. Uma nota de cor que me agradou.
Vale a pena a visita. Toda a paisagem até lá chegarmos é um portento de beleza.
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terça-feira, outubro 27, 2009
quarta-feira, outubro 21, 2009
sexta-feira, outubro 16, 2009
Era uma vez...
Era assim que começavam as histórias que minha mãe me contava. Muitas das que contei às minhas filhas também começavam da mesma maneira.
Não era só ao deitar. Podia ser em qualquer altura em que a nossa imaginação entrava no mundo da fantasia.
Todas nós, mães, lemos as eternas histórias infantis, inventámos outras tantas e quando, mesmo assim, elas nos pediam mais, como no meu caso, eu aproveitava e lia-lhes A Escola do Paraíso do José Rodrigues Miguéis, Serioja de Vera Panova, tantas outras. Eu até lhes li A Cantora Careca de Ionesco, que elas hoje recordam com muito humor.
Mas chega uma altura em que temos mesmo que acabar. E eu tinha duas historinhas que eram como um terminar da sessão.
Uma delas era assm:
- Era uma vez três, dois austríacos e um francês.
O francês como era mais audaz, puxou da espada e ...zás.
Mas não julgues que o matou.
Eu vou contar como ocaso se passou.
Era uma vez três..... e voltava ao princípio.
A outra ainda era mais pequena:
- Era uma vez uma vaquinha chamada vitória. Morreu a vaquinha, acabou-se a história.
E depois de muitos protestos "Oh mãe essa não!" era a hora de fechar a luz e fazer ó ó.
segunda-feira, outubro 12, 2009
domingo, outubro 11, 2009
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sexta-feira, outubro 09, 2009
Fashionable Eyeglasses
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quarta-feira, outubro 07, 2009
Era seu colo de neve
tocado daquela graça
do contorno mais breve
onde o infinito se enlaça.
Morta, em sua fronte uma constelação
era presságio do ritual macabro
duma coroação.
O que bebera em sua carne a claridade
que dos deuses escorre para a mais pura taça
partiu com as mãos de tempestade
apressando com ira
e com desgraça
a fatalidade que os ungira.
E só parou quando mudo no espanto
onde o enlevo da morte se adivinha
o fim do mundo ficou esperando
aos pés da mais fanstática rainha.
Natália Correia - Romance de D.Pedro e Dona Inês
quinta-feira, outubro 01, 2009
Cesário, que conseguiu
Ver claro, ver simples, ver puro,
Ver o mundo nas suas coisas,
Ser um olhar com uma alma por trás, e que vida tão breve!
Criança alfacinha do Universo,
Bendita sejas com tudo quanto está à vista!
Enfeito no meu coração, a Praça da Figueira para ti
E não há recanto que não veja por ti, nos recantos de seus recantos.
Álvaro de Campos/Fernando Pessoa (1888-1935
Poesia
(edição de Teresa Rita Lopes)
in Poemário Assírio & Alvim -2007
segunda-feira, setembro 28, 2009
sexta-feira, setembro 25, 2009
Deus escreve direito por linhas tortas
E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o início
Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca teu fervor mais austero
Tua exigência de ti por entre
Espelhos deformantes e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é teu sol tua luz teu alimento.
Sophia de Mello Breyner Andresen - Deus escreve direito
segunda-feira, setembro 21, 2009
Parque das Nações
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me e eu não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como combóio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça
Mário Cesariny - Estação
sexta-feira, setembro 18, 2009
Há uma loja de tecidos na Ericeira (de que já vos falei) em cuja montra são tratados todas as semanas diferentes temas, sempre muito bem documentados.
Como anteriormente vos disse, faço sempre este percurso, para mim, obrigatório.
E nunca me desiludiu. Como agora. As pessoas da minha geração devem recordar-se com muita nostalgia dos tempos da escola primária aqui representada. Eu recordo, principalmente, as minhas professoras. Como só fui para a Escola Oficial na terceira classe tive três professoras. Uma muito querida na 1ª e 2ª classe. E duas na 3ª e 4ª classe. Recordo, sobretudo o amor pelo ensino, a sua dedicação e carinho. Para os passaritos assustados que nós eramos, encontrarmos uma segunda mãe na "senhora professora" foi um privilégio.
Que guardo na minha caixinha das recordações.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Bate a chuva, tic...tic...
nas vidraças da janela.
Canta a chuva, tic...tic...
Que linda canção aquela!
Tic...tic...tic...tic...
Que linda canção aquela
de meninas ao despique:
- Qual de nós será mais bela?
Meninas a fazer meia
com as nuvens de novelo,
nenhuma delas é feia!
Tic...tic...tic...tic...
Tenho um medo que me pélo
que alguma delas me pique!...
António de Sousa - Canção da chuva









