Lavatera mauritanica
Alquitira-do-Algarve (Astragalus tragacantha subsp. vicentinus)
Pampilho-marítimo (Asteriscus maritimus)
Portulaca grandiflora
Meus amigos tenho tido grande dificuldade em blogar. O meu PC está muito lento. A Net está muito lenta.
Não tenho conseguido entrar no vossos blogues.
Vou tentar resolver este problema o mais rápido possível. Até lá deixo-vos estas flores com muito carinho.
O blog seguirá dentro de momentos.
Chagas, Capuchinha (Tropaeolum majus)
Vem, camarada, vem
Render-me neste sonho de beleza!
Vem olhar doutro modo a natureza
E cantá-la também!
Ergue o teu coração como ninguém;
Fala doutro luar, doutra pureza;
Tens outra humanidade, outra certeza:
Leva a chama da vida mais além!
Até onde podia caminhei.
Vi a lama da terra que pisei
E cobri-a de versos e de espanto.
Mas, se o facho é maior na tua mão,
Vem, camarada irmão,
Erguer sobre os meus versos o teu canto.
Miguel Torga - Rendição
Mercado da Fruta
Fui três vezes à Madeira sempre em trabalho. E não foi amor à primeira vista.
Contudo fugindo da parte turística e entrando no mundo real dos madeirenses aprendi a gostar... a amar a Madeira.
Para mim o que torna um local apetecível não é o folclore para turista ver. A Madeira é muito mais do que isso. Tem uma paisagem magnífica, uma flora exuberante de uma beleza de cortar a respiração. E não menos importante o povo madeirense, de uma grande afabilidade, generosidade e de uma alegria contagiante.
E é por conhecer este povo que doi tanto a tragédia que o atingiu. E compartilho da sua dor.
Fotografias de Platero.
Sé de Évora
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro,latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no facto de haver coro...
A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som das rodas de automóvel...
E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...
Fernando Pessoa - Chuva Oblíqua (II)
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
Natália Correia - Creio nos anjos que andam pelo mundo
Lagoa - Ericeira
Oxalis - Trevo azedo
Malmequer silvestre
Muscari
Nascemos para o sono,
nascemos para o sonho.
Não foi para viver que viemos sobre a terra.
Breve apenas seremos erva que reverdece:
verdes os corações e as pétalas estendidas.
Porque o corpo é uma flor muito fresca e mortal.
Mexico- Ciclo Nauatle
Versão: Herberto Helder
in Rosa do Mundo
Ribeira d' Ilhas - Ericeira
Fui criança , indo por um carreiro,
a caminho do mar, mão na outra mão,
entre as árvores, pedras, insectos e aves.
Toda a Natureza me coube nas pupilas,
mestra de sentimentos, e eu discípula.
E, se fechava os olhos, ela punia-me
com o silêncio cruel das ondas,
a mudez imerecida dos insectos,
e a distância das aves, que doía.
Se os abria, tudo me rodeava,
apaziguador e meu,
mas a mão que me trazia a mão
puxava-me para a luz de cada dia.
Fiama Hasse Pais Brandão - Lisboa (1938-2007)
Mosteiro dos Jerónimos - Praça do Império
...
Diz o Alexandre O'Neill
que às vezes lhe falta um til.
Ora ponha-o na cabeça
para ver como se acaba
o que depressa começa
quando a chuvada desaba!
Mas se não fosse o O'Neill
Portugal não tinha Abril.
-Ai meu adeus pequenez
o que será deste mês
se nos não chove de vez?
Bem choveu. Ele que fez?
Tropeçou-nos de ternura
a todos como bem quis.
Em Lisboa amor procura
Alexandre português
que é gaivota e não o diz.
...
José Carlos Ary dos Santos - Brevíssima Antologia da Poesia com Certeza (excerto)