domingo, julho 31, 2011


Férias

 Meus amigos deixo-vos, até Setembro. Até lá.

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sábado, julho 30, 2011

terça-feira, julho 26, 2011



Todas as cartas de amor são
Ridículas
Não seriam cartas de amor se não fossem
Rídículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas , de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Fernando Pessoa (1888-1935)

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sábado, julho 23, 2011



Palácio Real de Queluz

Estátua da Raínha D. Maria I


Pormenor da estátua


 Nenúfar dos lagos exteriores

No blogue Casa Portuguesa  do meu amigo Alfacinha, que por acaso é belga mas grande admirador de Portugal vejo frequentemente fotografias e temas relacionados com o nosso País e  escritos em português.
Ele valoriza muitas coisas que a nós, às vezes, nos passam despercebidas, talvez por estarmos tão próximos.
Numa postagem  recente ele fala do Palácio de Queluz . Há anos que não vou lá.  E decidi visitá-lo. Cheguei já tarde, de maneira que só tirei fotografias do lado de fora. Voltarei para vê-lo na totalidade.
Obrigada Alfacinha por gostares tanto de Portugal.

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terça-feira, julho 19, 2011



...
Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua
No inquérito oficial  atónito afirmou
que o homem e a mulher tinham estrelas na fronte
e caminhavam envoltos numa cortina de música
com gestos naturais alheios  Crê-se
que a situação vai atingir o clímax
e a  polícia poderá cumprir o seu dever.
...

Daniel Filipe - A Invenção do Amor (excerto)

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sexta-feira, julho 15, 2011







Flores de papel  na Festa dos Tabuleiros em Tomar


Flores de papel tão bonitas quanto as verdadeiras.
Milhares de flores invadiram Tomar  nesta Festa dos Tabuleiros. Um  trabalho laborioso dos tomarenses que em conjunto tornaram a sua cidade  na verdadeira Raínha da Festa.
E depois de ter percorrido esta cidade engalanada  volto ao bulício e frenesim da minha cidade de coração limpo e reconciliada com a criatividade do meu povo.




Esta senhora é a D. Celeste, de Tomar de cujas mãos sairam este bonito ramo de flores.




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segunda-feira, julho 11, 2011











Festas dos Tabuleiros em Tomar

As Festas dos Tabuleiros, ou Festa do Divino Espírito Santo,  realizam-se em Tomar de quatro em quatro anos.
Começam logo na Páscoa mas só em Julho têm o seu ponto alto.

Foi condenada pelo Concílio de Trento, por, possivelmente ter origem pagã. Parece ter sido a Raínha Santa Isabel  a responsável pela cristianização desta Festa.

É uma romaria  popular  vivida entusiaticamente pelos seus habitantes na maneira cheia de imaginação e muito amor que põem nos enfeites ao longo das suas ruas. Sendo, por isso, uma atracção turística de grande dimensão.

Como estive lá só no sábado, não pude ver o Cortejo dos Tabuleiros. Mas o que vi deixou-me maravilhada.


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sábado, julho 09, 2011




A poesia não vai à missa,
não obedece ao sino da paróquia,
prefere atiçar os seus cães
às pernas de deus e dos cobradores
de impostos.
Língua de fogo do não,
caminho estreito
e surdo da abdicação, a poesia
é uma espécie de animal
no escuro recusando a mão
que o chama.
Animal solitário, às vezes
irónico, às vezes amável,
quase sempre paciente e sem piedade.
A poesia adora
andar descalça nas areias do verão.


Eugénio de Andradre -A Poesia  não Vai


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quarta-feira, julho 06, 2011




Qual é o carro dos nossos sonhos?
Para muitos de nós o sonho nunca se torna realidade.
Na verdade, começa-se por um, ou vários, pesadelos.

Eu , como qualquer pessoa de bom senso, comecei por ter carros ALTs (Autênticas Latas Velhas). Primeiro para adquirir experiência e também porque o dinheiro era pouco. E nem vos faço a lista enorme,  fastidiosa e inenarrável de ATLs que tive.

Porém passados muitos anos consegui finalmente comprar um carro novo, autêntico, a sair do "stand ".
Que emoção! Primeiro, sim,  é mesmo o cheiro inconfundível.  Os estofos imaculados. O isqueiro funciona.
Os vidros abrem-se e fecham-se, oh maravilha, com uma leve pressão dos dedos num botão, sem ter que dar à manivela e ficar com ela na mão. O motor ronrona suavemente sem resfolegos, nem engasganços nem mau feito, qual Matusalém. Os estofos podem apanhar sol à vontade que não mudam de cor. Fazer quilómetros e quilómetros sem uma avaria e ficar ao Deus dará no meio de uma estrada qualquer à espera de ajuda. É uma experiência para a vida.

Mas, lá está, ainda não é o carro dos meus sonhos.

Quando vivi em Lourenço Marques (actualmente Maputo), havia um garoto que vinha à janela e gritava a plenos pulmões: O Mini Cooper "upatassa" todos (ele queria dizer ultrapassa).

Por isso,  dando um pontapé na crise e esquecendo que me vão  "levar" 50% do meu subsídio de Natal, dos infinitos impostos que me têm andado a "levar", vou à minha janela virtual e grito:

- Quando for rica vou comprar um Porsche!

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sexta-feira, julho 01, 2011



Estamos agora em paz
sabendo simular o esquecimento

sentados

com os olhos no vento
lá de fora atirado para antes
de nós as mãos caídas
nos joelhos mas nada suplicantes
só esvaídas

conformados
com não nos conformarmos

resignados
a esperando não esperarmos

como se tudo fosse um imenso tanto faz.

Mário Dionísio (1916-1993)

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Gold Coins

AT this time of international crisis having money sleeping at the bank is a way to get poor every day.
Today the investment in precious metals like silver or gold is one of the best and safe way of seeing your money growing instead of decreasing slowly at the bank.
The investment can be made in pure gold, like the gold bar that I am showing here, or in gold bullion coins, certified by the treasure of the states that launch money into the market.
Gold bullion is appropriate to people who can mantain the investment for several years and dont need the money in a hurry.
To buy bullion you just need a good and trusteful advisor in order to get the most out of your money. You will see that gold is a great asset, secure and with some margin to grow in the next years.

terça-feira, junho 28, 2011





Pai-Nosso pequenino
Tem a chave o Deus-Menino.
Quem lha deu, quem lha daria?
Foi São Pedro, Santa Maria.
Cruz em monte, cruz em fonte
O pecado não encontre
Nem de noite, nem de dia
Nem às horas do meio-dia
Já os galos pretos cantam
Já os anjos se levantam
Já Jesus subiu à cruz.
Para sempre, ámen, Jesus.

Portugal - Oração Popular

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sexta-feira, junho 24, 2011





Mas este povo: o povo: esse de séculos
em terra dura e curta vida imerso?
O que sonha ou pensa? Franças e Araganças?
Se lhe tiraram cama em que sonhar!
Se lhe não deram nunca o imaginar
mais que a sardinha assada sem esperanças!
Não sonha ou pensa, apenas faz os filhos
que um dia houveram sido o povo se -
um se e sempre se de tantos séculos
e terra dura e curta vida e gente
que está por cima e há outros mais abaixo
danados só de não estarem em cima
do mesmo povo, o tal que todos amam
e lhes faz figas quando voltam costas.


Jorge de Sena - Os Ossos do Imperador e de Outros Mais

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terça-feira, junho 21, 2011





Padrão dos Descobrimentos


O Monumento aos Descobrimentos também chamado Padrão dos Descobrimentos fica situado em Belém, Lisboa. Tem a forma de uma caravela estilizada e tem 50 metros de altura.

Foi inaugurado em 1960 para comemorar os 500 anos   da morte do infante D.Henrique, o Navegador.
As esculturas são em pedra lioz e representam os heróis portugueses ligados aos Descobrimentos.

Para termos uma imagem mais alargada do rio Tejo, podemos subir ao topo do monumento , de elevador, e desfrutar desse espectáculo magnífico.




quinta-feira, junho 16, 2011


Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - Ficções do Interlúdio

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segunda-feira, junho 13, 2011






Como todos os anos  vem Santo António fazer o seu pequeno milagre de inundar a cidade de festas, arraiais, bailaricos e marchas populares e sardinhas assadas e demais petiscos próprios da ocasião.

A crise segue dentro de momentos.


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