A recente entrada em vigor do Acordo Ortográfico produziu em mim um sentimento de perda.
Ao longo da minha vida habituei-me a amar as palavras, tal como se escreviam até agora. Fazem parte do meu crescimento. Foi com essas palavras que li e continuo a ler os nossos grandes escritores. Afeiçoei-me a elas e vejo-as partir com muita tristeza.
Não acredito que este Acordo vá transformar quem escreve mal e pronuncia mal a nossa Língua.
Quem é que nunca ouviu dizer:
"Enformação" em vez de Informação
"Enteressado" em vez de Interessado
"Fonciona" em vez de Funciona
"Poribir" em vez de Proibir
"Biolgo" em vez de Biólogo
"Omnívaro" em vez de Omnívoro
"Hilcóptero" em vez de Helicóptero
"Helioporto" em vez de Heliporto
"Númaro" em vez de Número
"Solarengo" em vez de Soalheiro(quando se referem ao Sol)
"Competividade" em vez de Competitividade
"Empreendorismo" em vez de Empreendedorismo
E muitas, muitas mais.
O Acordo deixa cair as consoantes mudas.
Como assim "afetivo" como assim "anticoncecional" como assim o meu deus "Egito"? (Como diria Mário Cesariny). Para, logo a seguir, repescarmos o "p" em egiptólogo. Não entendo.
Comigo as consoantes mudas vão ter sempre voz.
.