sexta-feira, dezembro 02, 2011

segunda-feira, novembro 28, 2011



Lembram-se?
Estávamos em 2002 e algumas instituições bancárias distribuiam estes conversores, entre os seus clientes, para nos adaptarmos à mudança do escudo para euros.
No dia 1 de Janeiro de 2012 farão precisamente 10 anos  que o euro existe na forma de notas e moedas,

E, entretanto, quanta incerteza e preocupação anda no ar.

Adaptei-me facilmente à nova moeda mas sem nunca deixar de lado o escudo. Mentalmente estou sempre a converter o euro em escudos. E, podem crer, é muito útil. Impede-me de fazer alguns disparates.

Para aderir à União Europeia  fomos obrigados a ter quotas na produção de leite e nas pescas. Campos subsidiados para não produzirem. Mais subsídios para o abate de barcos.
Ficámos com imensas auto estradas, é certo, mas de que irão servir se o combustível aumenta, as portagens aumentam, tudo aumenta?

Como poderá este País desenvolver-se  desta  maneira?
A quem interessa esta opressão económica?
Acho que  temos que pensar muito bem o que queremos realmente para o nosso País.



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sexta-feira, novembro 25, 2011


Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
-ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo; fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim com assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao  pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr  ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora -ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra


Mário Cesariny - Pastelaria (Discurso Sobre  a Reabilitação do Real Quotidiano

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terça-feira, novembro 22, 2011







O Outono está a despedir-se.  Foi breve a sua visita. Nem foi bem Outono, mas um Verão preguiçoso.
Temos aí o Inverno, impaciente, a mostrar a sua força.
Esperemos que a Primavera venha mais cedo...


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sexta-feira, novembro 18, 2011



Pouco é um homem e, no entanto, nele
cabe tudo o que existe e fica ainda
espaço bastante para poder negá-lo.


Armindo Rodrigues - Beleza Prometida  XC

in  Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc.XIII ao Séc. XXI

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terça-feira, novembro 15, 2011

sexta-feira, novembro 11, 2011

terça-feira, novembro 08, 2011




Prezado senhor e rei,
Sabes a notícia grada?
Segunda comemos pouco,
Terça não comemos nada.

Quarta sofremos miséria,
E quinta passámos fome;
Na sexta quase nos fomos -
Não se aguenta quem não come!

Por isso vê se no sábado
Mandas cozer o pãozinho,
Senão no domingo, ó rei,
Vamos comer-te inteirinho!

Georg Weerth (Alemanha 1822-1856) - A Canção da Fome

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quarta-feira, novembro 02, 2011





Vocês são a favor ou contra?
Respondam sim ou não.
Decerto já pensaram no problema
Creio sinceramente que ele os tem preocupado.
Tudo na vida traz preocupações
Crianças mulheres insectos
Plantas nocivas, horas sem proveito
Paixões difíceis, dentes cariados
Filmes medíocres. E isto decerto os preocupa.
Sejam responsáveis e digam: Sim ou não.
A vocês é que cabe decidir.
Não lhes pedimos evidentemente que abandonem
Suas ocupações, que interrompam sua vida
O jornal preferido o bate-papo
No barbeiro aos domingos ao ar livre.
Uma palavra só. Vamos então:
Vocês são contra ou a favor?
Pensem bem: Eu fico à espera.

Manólis Anagnostákis ( Grécia  - 1925)  - A Decisão

in Rosa do Mundo


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sábado, outubro 29, 2011

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Foi-nos afirmado que o nosso Orçamento de Estado era um orçamento de esperança.
Esperança para quem?



* As Aventuras de Tintim - Explorando a Lua
** As  Aventuras de Tintim - A Sete Bolas de Cristal

quarta-feira, outubro 26, 2011




Porto - Foz


À noitinha
lançávamos a âncora para as nuvens
por proposta minha
ou encalhávamos o barco
nas areias
do Douro.
Enquanto as Dourodeias
vinham ao de cimo
brincar nos reflexos das águas
com  olhos de limo,
cabelos de algas,
despenteios de espuma trazida do mar.
Eram ao mesmo tempo
mulheres, peixes, aves e frio
que nadavam no luar
e voavam no fundo do rio.


José Gomes Ferreira - Raiz de Granito (XXV)


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sábado, outubro 22, 2011


Mataram o Pai Natal!

Também não admira dada a maneira como nós o temos tratado. Todos os anos lá o vemos pendurado pelo gasganete, ao sol, à chuva ao vento.

É evidente que  sabemos que o Pai Natal não existe. Ou algum irmão mais velho, velhacamente, o afirmou, ou nós, filhos únicos, descobrimos sòzinhos. Porém a ilusão, para os mais pequenos,  daquele senhor tão simpático descer pela chaminé só para trazer brinquedos é ainda acarinhada  e incentivada pelos pais.

Porém este ano, de que maneira explicaremos que, não senhor, este ano não há Pai Natal. Como  explicar que, afinal, os brinquedos são os paizinhos que compram quando têm euros. E que este ano outros homens se lembraram de lhes tirar essa ilusão.
O nosso saudoso Solnado diria: Tudo prejuízo.

Natália Correia devia estar entre nós . Gostaria muito de saber que poema faria ela a esta Troika-Troika.


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quarta-feira, outubro 19, 2011

sábado, outubro 15, 2011








 Artesanato português


Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga - Dies Irae

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terça-feira, outubro 11, 2011





As cores do Outono

"A liberdade não é fazer o que se quer, mas o que se deve."

Ramón de Campoamor (1817-1901) - Poeta espanhol


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sábado, outubro 08, 2011








Ninguém cheira melhor
nestes dias
do que a terra molhada: é outono.
Talvez por isso a luz,
como quem gosta de falar
da sua vida, se demora à porta,
ou então passa as tardes à janela
confundindo o crespúsculo
com as ruínas
da cal mordidas pelas silvas.
Quando se vai embora o pano desce
rapidamente.


Eugénio de Andrade - Teatro dos Dias

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terça-feira, outubro 04, 2011




Quem vai de Lisboa para a Ericeira apanha a autoestrada A8 até à Venda do Pinheiro onde segue pela autoestrada  A21.

Quando estas autoestradas foram inauguradas, primeiro a A8 e mais recentemente a A21, nem podem imaginar a minha felicidade. O tempo de percurso foi drasticamente encurtado em meia hora . Ou seja, passei a levar meia hora, mais coisa menos coisa, a chegar à Ericeira.

Nos anos oitenta, de camioneta, eram duas horas para lá chegar. Uma eternidade.

Ora é precisamente, na mais recente A21, que se vê o estado em que se encontram as mangas de vento.
Começa logo ao chegarmos  à Abrunheira, depois na ribeira de Muchalforro, mais à frente na ribeira da Borracheira e, já na  na CRIMA (Central Regional  Interior de Mafra)  junto ao Rio Cuco.
 Já estavam assim desde o início do Verão.

Não se compreende.

Resultado da crise?  Espero bem que não. A isto chama-se incúria, ou antes, desmazelo.


Mas não era sobre este assunto que vos queria falar. Mas de outro bem mais interessante e também de espantar.




 A Primavera no meu mini pomar.

Em Outubro o abrunheiro está em flor. Pela segunda vez, este ano.
Tenho direito a um pequeno prodígio. Amen.

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