terça-feira, fevereiro 26, 2013




O blog segue dentro de momentos.
Até já.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

 
 
 
Ainda não é a Primavera desejada mas já há sinais cheios de esperança.
 
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terça-feira, fevereiro 19, 2013


 


O jornal Expresso deste fim de semana dizia-nos que:
 
"Há 1350 empregos destruídos todos os dias"
"Mais de 120 mil sem trabalho, nem forças para o procurar porque entram em depressão clínica."
"A falta de trabalho atinge já 1.2 milhões de pessoas."

Em consequência desta situação já há muitos suicídios, muitas famílias destruídas.
 
Como assim, em nome de Deus, quem nos governa consegue dormir descansado e dizê-lo sem um mínimo de desconforto, sem que qualquer músculo da cara denuncie uma emoção qualquer, sem um pestanejar nervoso. Nada.
 
Será  que em vez de governantes humanos, temos extra-terrestres?
Porque os humanos têm coração, que esta gente não tem, de certeza.

Talvez, em sua substituição, tenham um pedaço de lata , já enferrujada sem préstimo nenhum.

E as latas sem préstimo vão para a sucata.
 

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sexta-feira, fevereiro 15, 2013

 
Caricas



Quando era criança os miúdos da minha rua  faziam grandes campeonatos de caricas.
 
Nesse tempo eles enchiam as tampinhas  com casca de laranja, mas de laranja de casca grossa, para ficarem mais pesadas. 
Aproveitavam o lancil do passeio  e era aí que se faziam extraordinárias corridas de perícia e pontaria.
Quando algum deixava cair a carica, tinha que recomeçar o jogo.
Era um jogo só para rapazes.
As meninas ficavam à janela, como eu, a vê-los.
 
Vem isto a propósito de casca grossa, porque ser "casca grossa" diz-se de alguém que não usa uma linguagem muito correcta, nem educada.
Claro que já todos ouvimos ou dissemos alguns disparates mas em privado. Agora, saber que um ex secretário-geral da Cultura ...da CULTURA, mande não sei quem apanhar não sei o quê, não sei aonde, escarrapachado no blog, é obra.
 
Eu acho que foi da convivência.
 
 
 
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quarta-feira, fevereiro 13, 2013

 




"Asi es - suspiró el coronel -  la vida es la cosa mejor que se ha inventado."
 
 
 
Gabriel Garcia Marques , escritor colombiano


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sexta-feira, fevereiro 08, 2013

terça-feira, fevereiro 05, 2013


 
...

Não mais, Musa não mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.
...
 
Camões - Lusíadas -Canto X  (excerto)



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sexta-feira, fevereiro 01, 2013


 
Elvas- Rio Guadiana


Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
 
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.
 
 
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro



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terça-feira, janeiro 29, 2013

 


O poeta é um guardador
 
guarda a diferença
guarda a indiferença
 
no incerto
guarda a certeza da voz
 
 
Ana Hatherly - O Poeta É um Guardador


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sábado, janeiro 26, 2013

 

Não perguntem nada: nós estamos dentro
Do aro de frio, no frio do muro,
Tão longe da feira do Tempo!
Não perguntem nada.
Nós estamos mudos.
 
Puseram açaimes nas ventas do vento,
Ergueram  açudes nas águas do mar...
Não perguntem nada: nós estamos dentro,
Ou fora de tudo.
Não perguntem nada.
 
Tumulto na estrada? O bicho na concha.
Miséria na casa? O farol na montra.
Não perguntem nada, não perguntem nada:
há sempre gládios
a ríspida sombra.
 
Não perguntem nada: as razões são longas.
Não perguntem nada: as razões são tristes.
Não perguntem nada: nós estamos contra.
E talvez perdidos.
E talvez perdidos.


David Mourão-Ferreira  - Litania de Sombra

 
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terça-feira, janeiro 22, 2013





A flor tem linguagem de que a sua semente não fala.
A raiz não parece dar aquele fruto.
Não parece que a flor e a semente sejam da mesma linguagem.
Retirada a linguagem
a semente é igual a flor
a flor igual a fruto
fruto igual a semente
destino igual a devir,
E era o que se pedia: igual.
 
 
Almada Negreiros - Poemas
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sexta-feira, janeiro 18, 2013

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!
 
Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.
 
Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.
 
Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!
 
Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!
 
Miguel Torga - Não Passarão
 
 
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terça-feira, janeiro 15, 2013




A trinta e cinco reis custa a pescada;
O triste bacalhau a quatro e meio;
A dezasseis vinténs corre o centeio;
Do verde a trinta reis custa a canada.
 
A sete, e oito tostões custa a carrada
Da torta lenha, que do monte veio;
Vende as sardinhas o galego feio
Cinco ao vintém; e seis pela calada.
 
O cujo regatão vai com excesso,
Revendendo as pequenas iguarias,
Que da pobreza são todo o regresso.
 
Tudo está caro: só em nossos dias,
Graças ao Céu! Temos em bom preço
Os tramoços, o arroz e as Senhorias.
 
 
Paulino António Cabral (Abade de Jazente)
Amarante (1719-1789)

 
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sexta-feira, janeiro 11, 2013

 
                                                                                                                                              
 
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Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só o azar, é natural.
 
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
 
 
Fernando Pessoa - 29-3-1935
 
 

segunda-feira, janeiro 07, 2013

 
 

 
É preciso saber por que se é triste
é preciso dizer esta tristeza
que nós calamos tantas vezes mas existe
tão inútil em nós tão portuguesa.
 
É preciso dizê-la é preciso despi-la
é preciso matá-la perguntando
porquê esta tristeza como e quando
e porquê tão submissa tão tranquila.
 
Esta tristeza que nos prende em sua teia
esta tristeza aranha esta negra tristeza
que não nos mata nem nos incendeia
 
antes em nós semeia esta vileza
e envenena ao nascer qualquer ideia.
É preciso matar esta tristeza.
 
 
Manuel Alegre - Soneto em Praça da Canção
 
 

domingo, dezembro 30, 2012




Feliz Ano Novo
 
 
O meu amigo belga, que é Alfacinha de coração, enviou-me esta receita deliciosa para esquecermos o 2012 e entrarmos no 2013 com um sorriso e que partilho convosco.

"Coloque numa panela, neve branca brilhante,
algumas estrelinhas da noite de São Silvestre,
e leve ao fogo .
A meia-noite em ponto cubra tudo com beijinhos de amor.
Acrescente no conjunto uma punhada com chuva pirotécnica.
Regue muito copioso com cintilantes borbulhos dourados de espumante.
Mexe isto tudo cuidadamente com um generoso suspiro de bonança
e junte os seus votos de novo ano.
Despeje essa mistura de ventura sobre uma placa
e leve ao forno pré-aquecido por cerca de 365 segundos.
que bolo de ano
Divida o bolo em quatro estações
e goze de dia para dia do sabor único de um feliz ano novo."

Eu vou tentar. Espero que funcione,

Feliz 2013 para todos!!


 

sexta-feira, dezembro 28, 2012


Trafaria, Dezembro 2012


2012 está a chegar ao fim.

Não foi um ano bom para a maioria dos portugueses.

Está na altura de fazermos um balanço, depois de muitos jovens terem saído do País para encontrarem trabalho e sustento noutras paragens.
Depois de ano e meio de governação, depois de tantos sacrifícios, depois de perdermos tudo  que o 25 de Abril conquistou, o que nos resta?

Nós não sabemos mas os governantes deviam ter uma palavra de esperança e não um discurso atabalhoado, no "facebook", lamuriento, piegas, tipo folhetim da "coxinha", literatura de cordel pura.

Os portugueses podem gostar muito de telenovelas mas, de certeza, preferiam ter pão na mesa  junto de toda a família. E homens honrados  a dirigir este País e ... inteligentes .

O nosso primeiro, provavelmente, acha que somos todos "tosques".





segunda-feira, dezembro 17, 2012

              
                     


É tempo de Natal.
Mesmo contra todas as adversidades.
Portanto tornemos este tempo o melhor possível para os que mais amamos.

Desejo a todos vós um Feliz e Santo Natal e em Paz.

quarta-feira, dezembro 12, 2012



"Só existem dois dias no ano nos quais não se pode fazer nada.
Um chama-se ontem,  e o outro amanhã.
Portanto hoje é o dia ideal para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver."

Dalai Lama

sexta-feira, dezembro 07, 2012




Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em frios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol

...

António Ramos Rosa - Estou Vivo e Escrevo Sol (excertos)