sexta-feira, março 29, 2013

 

O que eu,na realidade,  desejo é uma Páscoa melhor para todos nós, do que o que nos está a acontecer.
 
Confesso que não acredito mas sonhar ainda é permitido. E, para os amigos, deseja-se sempre o melhor.
 
Como festejar esta quadra: o renascimento de um Homem bom, quando nos espreita por todo o lado, desonestidade, mentira, falsidade, falta de coluna vertebral e inteligênca.
 
Porque os valores materiais são necessários mas os valores morais são indispensáveis.
Somos nós que temos que tornar esta e outras Páscoas melhores.
Vamos lá, então!
 


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quarta-feira, março 27, 2013

 


Primavera.
Renovação.
Vida depois da morte. Renascimento
A natureza dá-nos lições sublimes.
Nunca devemos baixar os braços. 
Mesmo depois do Inverno mais rigoroso ela,a Primavera,  à hora marcada, não falha.


sábado, março 23, 2013




 
 
 
 
Nesta  hora limpa da verdade é preciso dizer a verdade toda
Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca
             o povo
Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade
 
Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida
 
O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe
 
A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados
 
Não basta gritar povo é preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar
 
Como quem parte do sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão
Para construir o canto terrestre
- Sob o ausente olhar silente de atenção -
 
Para construir a festa do terrestre
Na nudez de alegria que nos veste
 
 
Sophia de Mello Breyner Andresen - Nesta Hora




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quarta-feira, março 20, 2013


Vivemos tempos conturbados, perigosos.

 Nunca, nestes quase 40 anos de democracia, me lembro de assistir a tanta incompetência, desonestidade e mentira.

Sairam-nos estes "vende-pátrias" ao caminho que curvam a espinha e assinam um acordo miserável numa reunião do Euro Grupo e, depois, se apresentam de olhos baixos e voz mansa, aos portugueses a dizerem que não, em Portugal, não será como no Chipre.

Depois de tantas e tantas mentiras quem é que acredita?

Às vezes surge a velha polémica sobre o Hino Nacional. Que se devia retirar a frase "contra os canhões, marchar, marchar" por ser de índole bélica, não fazendo sentido num País de brandos costumes e em paz.

E fico a pensar. Talvez, actualmente, fizesse mais sentido dizer:"Contra os mentirosos, vigaristas,ladrões...etc. etc. marchar, marchar!

sexta-feira, março 15, 2013

 
 
Estou  com saudades.
Não, nunca joguei ao berlinde. Ficou-me a memória dos miúdos da minha rua e a memória das cores, dos brilhos e do som característico que o "abafador" fazia ao bater nos berlindes.
Amigos meus e as minhas filhas sabendo do meu fascínio, começaram a oferecer-me berlindes e um recipiente demasiado grande para os guardar. Ficou-me a saudade desse tempo despreocupado.
Estou com saudades do sol. Um dia inteiro de sol e não estes fiapos por entre nuvens e chuva.
Estou com saudade dos tempos que se seguiram ao 25 de Abril. Daquela alegria tão pura e genuína.
Estou com saudade dos políticos desse tempo. Acreditávamos piamente que esses homens e mulheres tinham um ideal  para tornar o nosso país mais próspero e moderno.  Tinham cultura política. Tinham cultura, ponto. 
Eram políticos por devoção e não como profissão.
Agora temos profissionais da política com muitos direitos e poucos deveres.  E os poucos deveres  não são bem desempenhados.
Tenho saudades dos outros Presidentes da  República.
Tenho saudades, pronto.
 
 

sábado, março 09, 2013

 
 
 
O País espirra mas não é só da gripe.
O que nos está a atingir é uma imensa alergia colectiva a toda esta austeridade vil, bárbara, irresponsável, mesquinha e inconstitucionalíssimamente injusta.
Protejam-se, pela vossa saúde.
 
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terça-feira, fevereiro 26, 2013




O blog segue dentro de momentos.
Até já.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

 
 
 
Ainda não é a Primavera desejada mas já há sinais cheios de esperança.
 
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terça-feira, fevereiro 19, 2013


 


O jornal Expresso deste fim de semana dizia-nos que:
 
"Há 1350 empregos destruídos todos os dias"
"Mais de 120 mil sem trabalho, nem forças para o procurar porque entram em depressão clínica."
"A falta de trabalho atinge já 1.2 milhões de pessoas."

Em consequência desta situação já há muitos suicídios, muitas famílias destruídas.
 
Como assim, em nome de Deus, quem nos governa consegue dormir descansado e dizê-lo sem um mínimo de desconforto, sem que qualquer músculo da cara denuncie uma emoção qualquer, sem um pestanejar nervoso. Nada.
 
Será  que em vez de governantes humanos, temos extra-terrestres?
Porque os humanos têm coração, que esta gente não tem, de certeza.

Talvez, em sua substituição, tenham um pedaço de lata , já enferrujada sem préstimo nenhum.

E as latas sem préstimo vão para a sucata.
 

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sexta-feira, fevereiro 15, 2013

 
Caricas



Quando era criança os miúdos da minha rua  faziam grandes campeonatos de caricas.
 
Nesse tempo eles enchiam as tampinhas  com casca de laranja, mas de laranja de casca grossa, para ficarem mais pesadas. 
Aproveitavam o lancil do passeio  e era aí que se faziam extraordinárias corridas de perícia e pontaria.
Quando algum deixava cair a carica, tinha que recomeçar o jogo.
Era um jogo só para rapazes.
As meninas ficavam à janela, como eu, a vê-los.
 
Vem isto a propósito de casca grossa, porque ser "casca grossa" diz-se de alguém que não usa uma linguagem muito correcta, nem educada.
Claro que já todos ouvimos ou dissemos alguns disparates mas em privado. Agora, saber que um ex secretário-geral da Cultura ...da CULTURA, mande não sei quem apanhar não sei o quê, não sei aonde, escarrapachado no blog, é obra.
 
Eu acho que foi da convivência.
 
 
 
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quarta-feira, fevereiro 13, 2013

 




"Asi es - suspiró el coronel -  la vida es la cosa mejor que se ha inventado."
 
 
 
Gabriel Garcia Marques , escritor colombiano


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sexta-feira, fevereiro 08, 2013

terça-feira, fevereiro 05, 2013


 
...

Não mais, Musa não mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.
...
 
Camões - Lusíadas -Canto X  (excerto)



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sexta-feira, fevereiro 01, 2013


 
Elvas- Rio Guadiana


Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
 
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.
 
 
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro



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terça-feira, janeiro 29, 2013

 


O poeta é um guardador
 
guarda a diferença
guarda a indiferença
 
no incerto
guarda a certeza da voz
 
 
Ana Hatherly - O Poeta É um Guardador


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sábado, janeiro 26, 2013

 

Não perguntem nada: nós estamos dentro
Do aro de frio, no frio do muro,
Tão longe da feira do Tempo!
Não perguntem nada.
Nós estamos mudos.
 
Puseram açaimes nas ventas do vento,
Ergueram  açudes nas águas do mar...
Não perguntem nada: nós estamos dentro,
Ou fora de tudo.
Não perguntem nada.
 
Tumulto na estrada? O bicho na concha.
Miséria na casa? O farol na montra.
Não perguntem nada, não perguntem nada:
há sempre gládios
a ríspida sombra.
 
Não perguntem nada: as razões são longas.
Não perguntem nada: as razões são tristes.
Não perguntem nada: nós estamos contra.
E talvez perdidos.
E talvez perdidos.


David Mourão-Ferreira  - Litania de Sombra

 
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terça-feira, janeiro 22, 2013





A flor tem linguagem de que a sua semente não fala.
A raiz não parece dar aquele fruto.
Não parece que a flor e a semente sejam da mesma linguagem.
Retirada a linguagem
a semente é igual a flor
a flor igual a fruto
fruto igual a semente
destino igual a devir,
E era o que se pedia: igual.
 
 
Almada Negreiros - Poemas
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sexta-feira, janeiro 18, 2013

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!
 
Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.
 
Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.
 
Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!
 
Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!
 
Miguel Torga - Não Passarão
 
 
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terça-feira, janeiro 15, 2013




A trinta e cinco reis custa a pescada;
O triste bacalhau a quatro e meio;
A dezasseis vinténs corre o centeio;
Do verde a trinta reis custa a canada.
 
A sete, e oito tostões custa a carrada
Da torta lenha, que do monte veio;
Vende as sardinhas o galego feio
Cinco ao vintém; e seis pela calada.
 
O cujo regatão vai com excesso,
Revendendo as pequenas iguarias,
Que da pobreza são todo o regresso.
 
Tudo está caro: só em nossos dias,
Graças ao Céu! Temos em bom preço
Os tramoços, o arroz e as Senhorias.
 
 
Paulino António Cabral (Abade de Jazente)
Amarante (1719-1789)

 
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sexta-feira, janeiro 11, 2013

 
                                                                                                                                              
 
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Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só o azar, é natural.
 
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
 
 
Fernando Pessoa - 29-3-1935