Aos Jacarandás de Lisboa
São eles que anunciam o verão.
Não sei de outra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
É um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas - irmão dos pássaros -
perder-me no ar.
Eugénio de Andrade (Os Sulcos da Seda,2001)




