quarta-feira, abril 01, 2015




Estamos a ser invadidos por extraterrestres.

Várias naves sobrevoaram o mar da Ericeira.

Ninguém se preocupou muito. Será que vieram para nos salvar?


segunda-feira, março 30, 2015




É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade - Urgentemente

domingo, março 22, 2015




Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.

Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.


Miguel Torga - Flor da Liberdade

terça-feira, março 17, 2015



Sonhe com aquilo que você quer,
porque você possui apenas uma vida
e nela  só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

Clarice Lispector  -  O sonho

sábado, março 14, 2015




"Março marçagão, de manhã Inverno,
à tarde Verão."

"Março marçagão, manhã de Inverno, tarde de rainha,
 noite corta que nem foicinha."


Adágios populares portugueses

segunda-feira, março 09, 2015




Abrunheiro e sua flor
 
 
 Primavera está a passar por aqui.
 
 

terça-feira, março 03, 2015



A partir de agora, e durante algum tempo, esta vai ser a paisagem que verei todos os dias.

A 50 quilómetros de Lisboa, pouco mais ou menos, e a 11 quilómetros da Ericeira.

Acordo com os passarinhos que são muitos e variados. Sei de alguns, como estorninhos, alvéolas, rabiruivos, melros, pardais, flosas, rouxinóis e também rolas, corvos, assim como algumas aves de rapina.

As alvéolas costumam fazer ninho nos meus vasos.

Há vinhas e pomares e há, sobretudo, sossego.

Sendo uma pessoa da cidade quanto tempo levarei a sentir saudades daquele ruído, daquele movimento?



segunda-feira, fevereiro 23, 2015




"Quando se realiza o viver, pergunta-se: mas é só isto?
E a resposta é: não é só isto, é exactamente isto."


Clarice Lispector


quinta-feira, fevereiro 19, 2015



Seguimos atentamente, com a respiração suspensa e olhos vidrados no ecrã da TV, o percurso do senhor Varoufakis, Ministro das Finanças da Grécia,  com o seu elegante, embora datado, cachecol Burberry's, nas reuniões dos Ministros das Finanças da União Europeia.

Enquanto isso, por cá, sem que ninguém se incomode, assiste-se ao "abocanhar patriótico dos tachos", como diria e muito bem, Jorge de Sena.

Até quando?

sexta-feira, fevereiro 13, 2015



 No dia 13 de Fevereiro de 1965 era assassinado o General Humberto Delgado, o General Sem medo, nos arredores de Badajoz, por elementos da PIDE.

Uma data que jamais devemos esquecer.

Do memorável discurso no Liceu Camões no dia 18 de Maio de 1958, recordo os últimos parágrafos:

"Meus senhores: que esta noite acabe com a minha homenagem ao povo de Lisboa, que liberal, galharda e valente, soube mostrar ao governo que não tinha medo, ao portar-se como se portou.

E a esse mesmo governo, repetimos como no Porto: Cansaram-nos! Cansaram-nos! Reformem-se!
Reformem-se! Vão-se embora! Vão-se embora!"

segunda-feira, fevereiro 09, 2015



Podia ser neve...mas são apenas flores silvestres em Arraiolos.

sexta-feira, fevereiro 06, 2015






Não vos digo sigamos os pinguins... porque está mesmo muito frio.
Bom fim de semana!



segunda-feira, fevereiro 02, 2015







"Um banqueiro é o homem que te empresta o chapéu de chuva quando faz sol e que to tira quando começa a chover."


Mark Twain

sexta-feira, janeiro 30, 2015




Mesmo na noite mais triste
em tempos de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.


Manuel Alegre - Trova do Vento que Passa (excerto)

terça-feira, janeiro 27, 2015




"As oportunidades do indivíduo não as definiremos em termos de felicidade, mas em termos de liberdade."

Simone de Beauvoir

sexta-feira, janeiro 23, 2015



Restaurante Sul - Ericeira
 
Palavras para quê?
 
Contudo vou socorrer-me das palavras do poeta.
 
"Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não puder experimentá-lo."
 
Camões - Lusíadas (Canto IX)
 

segunda-feira, janeiro 19, 2015




Inspirados nos "Lenços dos Namorados", existem agora diversos objectos, nas lojas de "souvenirs".
As quadras  com alguns erros ortográficos, tal como as moças do povo os escreviam nos passados séculos XVII-XVIII, tinham a sua candura.

Mas fico a pensar no Acordo Ortográfico que nos querem impor e, não tarda, estaremos a escrever pior do que essas moças.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

 



 
Arte urbana
 

quarta-feira, janeiro 07, 2015



"Que relação pode existir entre a poesia e o poder?
Com o poder nenhuma, mas com o anti-poder pode existir alguma."

Eugénio de Andrade

sábado, janeiro 03, 2015



 
 
 
E pronto já estamos em 2015.
 
Convinha agora acertar o passo no bom caminho. Fartos de passos errados estamos nós.
De assistir entre o embasbacados e indignados, aos vários "meter os pés pelas mãos".
 
Como dizia o poeta, o caminho faz-se caminhando, e é isso que vamos fazer cheios de esperança numa mudança, benéfica, de rumo.
 

terça-feira, dezembro 30, 2014



Despeço-me sem saudade de 2014.

Foi um ano brutal para a maioria dos portugueses.

Brutal na carga sobre-humana de impostos, brutal na falta de assistência médica, brutal na redução de salários, brutal no roubo às reformas, brutal na total incompetência de alguns governantes, brutal na ausência de solidariedade, brutal no ataque sistematizado à Democracia.

2014 foi o ano de mais vítimas de violência doméstica: 40 mulheres assassinadas até dia 10 de Dezembro.

2014 foi o ano da pobreza infantil. Há crianças que chegam à escola com fome.

2014 morre-se  ou por falta de transporte médico ou por falta de médicos.

2014 o ano em que aumentou o pedido de ajuda social.

2014 o ano em que se  assistiu ao exercício de um poder absoluto intolerável em Democracia.

2014  o ano em que a emigração atingiu níveis comparados aos anos 60.

2014 o ano em que começa a sentir-se um pivete medonho, como nos tempos da Pide. E esses tempos não o queremos de volta. Nunca mais!

E é por isso, meus amigos, que encho o coração de esperança e vos desejo   um 2015  em paz e em Democracia.






sábado, dezembro 20, 2014

 
FELIZ NATAL
 
 


Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos.
Humanas alvoradas...
A divindade é o menos.


Miguel Torga - Natal

sexta-feira, dezembro 12, 2014



Por do Sol - Ericeira Dez.2014
 
Um passeio desde o miradouro de Ribeira d'Ilhas até à Foz do Lizandro.
Muitos, como eu, apontando as suas máquinas fotográficas para o sol e vê-lo mergulhar silenciosamente no mar. É só um momento. Mas muito belo.
 
 

sexta-feira, dezembro 05, 2014



Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
com um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

Cecília Meireles

terça-feira, dezembro 02, 2014

Imagem da Wikipedia


Eu tive um sonho, pior, um pesadelo.

Sonhei que estávamos em 2011 e um enorme disco voador desceu em Lisboa.

Depois do susto inicial verificámos que de dentro da nave saíam seres parecidos com os humanos.
A única diferença era no andar. Todos muito firmes e hirtos, magros alguns mesmo  esquálidos.

Um deles até trazia uma Zundap.

 A roupa que traziam não primava pela elegância, principalmente nas mulheres. Mal penteadas, mal vestidas. Havia uma  que se destacava por ser loira, de cabelos compridos e ralos, mas de um loiro que já não se usa. Parecia saída dos anos 50, quando as pessoas pobres pintavam o cabelo com água oxigenada 20 volumes.

Dava a ideia que estes extraterrestres tinham visitado a terra nessa altura e continuaram nesse registo,
quando Salazar ainda vivia.

Neste sonho-pesadelo,  sentimos todos uma certa desconfiança e o melhor mesmo era verificar se eles eram ou não humanos.  A classe médica verificou que não tinham nem cérebro nem coração, mas um óptimo sistema digestivo: comiam tudo.

A verdade é que, passado pouco tempo, todos estavam mais gordos, luzidios. Um deles até parecia um berlinde pois era muito baixinho.

Como não eram humanos, deviam ter, entre eles, qualquer sistema de comunicação. Mas, ou porque o planeta de onde vieram não era muito inteligente, ou porque os sistemas eléctricos estavam avariados, nunca se entendiam. Cada um dizia sua coisa. Um autêntico charivari!

Mas tinham um ritual. Talvez para dar a ilusão do quanto eram modernos.  De vez em quando tiravam a gravata (casual fridays), abriam os botões da camisa até ao umbigo  e deixavam à vista a pilosidade ancestral...(ugh)... depois levantavam a perna direita arqueada batiam com força no chão, pum! levantavam a perna esquerda, outra vez pum!, ao mesmo tempo escancaravam a boca de onde surgiam uns dentes enormes, brancos e muito brilhantes e ululavam Uh! Uh! Uh!

Aqui acordei verdadeiramente horrorizada.


sexta-feira, novembro 28, 2014



Faço o que posso, e posso combater.
Um verso que resiste é um bom soldado.
Quando a noite é maior, o céu deixa-se ver
À pequenina luz dum pirilampo alado.

Move montanhas, abre o mar imenso
A fé que não hesita.
Cai uma gota no terror suspenso,
E o sal das amarguras precipita.

Sozinho na trincheira, vou cantando,
E o inimigo ouve-me, de lá...
Ouve e não sabe quando
O poder do meu fogo acabará.


Miguel Torga - Posição


terça-feira, novembro 25, 2014

 
 
 
 
Imagem da Wikipedia

Há muitos anos tive um colega alentejano que se dizia caçador de coelhos mas não usava arma nenhuma, só um saco, cenouras e pimenta. 

-Oh,senhor Guerra (era o seu nome), como é que isso é possível?

-Muito fácil! Vou para o campo , procuro a toca do coelho e ponho-lhe a cenoura, bem grande e rija, à entrada da toca e espero.
E não espero muito. O coelho vê a cenoura e tenta leva-la para dentro mas como ela é muito grande não consegue e tenta come-la mesmo ali. Mas a cenoura é muito rija e com o esforço fecha os olhos. Aí, quando ele fecha os olhos seguro-o pelas orelhas e meto-o no saco.

-Essa é boa! E para que serve a pimenta?

-Essa é a segunda maneira de caçar coelhos. Muito fácil.
O mesmo processo anterior, só que em vez da cenoura ponho pimenta. O coelho sai da toca, cheira a pimenta e espirra. Atchim! Quando ele espirra, automaticamente, fecha os olhos e pronto, já sabem como é: agarro-o pelas orelhas e...saco com ele.

Moral da história: Cuidado com as cenouras muito grandes e a pimenta...ou areia que nos atiram para os olhos.

Tenham uma boa semana.

sexta-feira, novembro 21, 2014




É preciso de vez em quando ser infeliz.
Para se poder ser natural...


Fernando Pessoa/Alberto Caeiro

segunda-feira, novembro 17, 2014





Os olhos também comem, sempre ouvi dizer.

Comer não é só aquela necessidade básica de sobrevivência.
Cada vez notamos mais isso com a quantidade de programas dedicados, e muito bem, à alimentação.

Em casa tentamos, umas vezes melhor, outras pior, dar uma maior criatividade às nossas refeições.

Mas quando queremos fazer como Alice No País das Maravilhas ao atravessar o espelho à procura de magia temos de escolher esse restaurante que nos faça viajar no mundo fabuloso dos sabores e da visão estética.

Já tinha encontrado esse restaurante há alguns anos nas Caldas da Rainha, o Incógnito, que se mudou para Lisboa como La Lisboète.

Voltámos a ter a simpatia da Mariana e o virtuosismo do Chefe Walter.

Estou desejando atravessar o espelho logo que esta arreliadora contractura muscular o permita.

O Restaurante La Lisboète fica na Calçada Marquês de Abrantes em Santos.





terça-feira, outubro 28, 2014




 
Discoteca Ouriço - Ericeira
 
As viagens até Marte estão, por enquanto, em fila de espera.
Nessa impossibilidade podemos fazer uma pequena viagem até à Ericeira e admirar este espectacular trabalho  no edifício da Discoteca Ouriço que nos leva até ao planeta vermelho.
Entretanto podemos esperar pelo pôr do sol, comodamente sentados, não na nave espacial, mas nas muitas esplanadas ali perto e apreciar o que ainda temos de bom na Terra.
 
 

quarta-feira, outubro 22, 2014


Arraiolos-Alentejo


Já disse tantas vezes o que disse
sem dizer o que agora não sei se vou dizer
É uma ilusão decerto supor que a palavra se levanta
e arde porque coincide com a substância real
Mas se a palavra não chega a ser uma evidência fértil
do mundo ela é a sede que inventa a sua água
e nós já não sabemos se a água é verbal ou líquida substância


António Ramos Rosa - Já Disse Tantas Vezes O Que Disse (excerto)


...

quinta-feira, outubro 16, 2014




Crepúsculo marinho,
no centro
da minha vida,
as ondas como uvas,
a solidão do céu,
enches-me
e transbordas,
todo o mar,
todo o céu,
movimento
e espaço,
os brancos batalhões
de espuma,
a terra cor de laranja,
a cintura
incendiada
de sol agonizante,
dádivas
sobre dádivas,
aves
que aos seus sonhos
acorrem,
e o mar, o mar,
aroma
ondulante,
coro de sal sonoro,
enquanto nós,
os homens,
à beira da água
vamos lutando
e esperando,
à beira do mar,
esperando.

"Tudo se realizará",
dizem as ondas ao duro litoral.


Pablo Neruda  -  Ode à Esperança

sexta-feira, outubro 10, 2014


                                         Lisboa- Portas de Santo Antão


"É fantástico a gente sentir o que não quer e ter um coração independente"


Fernando Pessoa - Aforismos e Afins

quinta-feira, outubro 02, 2014





Tejo, lombada do meu poema aberto em páginas de sol
Poesia dos pinheiros solteiros
encostados à nostalgia do fresco da tarde.


Almada Negreiros - Esboço

segunda-feira, setembro 29, 2014



No dia 20 de Julho de 1969 estava eu a assistir deslumbrada, através da televisão,  ao passeio saltitante de Neil Armstrong na superfície lunar.  

Vivia nos EUA, nessa altura, num bairro para estudantes com pouco dinheiro, que entretanto estavam a ser substituídos por famílias negras também com pouco dinheiro. Foi um experiência enriquecedora. Tinha uma vizinha negra que tomava conta do neto.  Engraçámos uma com a outra e ficámos amigas.

E aqui chegamos ao dia 20 de Julho. Eu deslumbrada com aquele acontecimento extraordinário, e a minha vizinha com o dedo espetado na Bíblia a dizer-me que aquilo era mentira. Não estava previsto  na Bíblia logo não estava a acontecer.

Eu estava a viver duas realidades, qual delas a mais fascinante.

E  por causa das primárias do PS, lembrei-me deste episódio. O que se passou ontem pode comparar-se à célebre frase de Neil Armstrong: " One small step for man, one giant leap for mankind". Eu estava a assistir a duas realidades e acredito que foi um passo gigante para a nossa Democracia.

segunda-feira, setembro 22, 2014



O Verão acabou.
Mas houve Verão?   Algum, muito pouco.
Até o Verão, meus amigos, emigrou.

Depois de tantos cortes , tantas subtracções, saques a torto e a direito , tanto tirar daqui e nunca por dacolá, em vez de um País temos uma aldeia.
Uma aldeia sem a gracinha da aldeia gaulesa do Asterix.

Por cá temos  Cacoterix sem controlo entre o Falso Tenorix e o Arrevogavelix.
Os outros dois com o "embaraço" ao pescoço, a pedir desculpas, em vez da demissão.

Até quando Senhor?