terça-feira, março 22, 2016

 
 


 
imagens da wikipedia 
 
Flores para a Bélgica com um sentimento da dor e tristeza.

 
 
 

quarta-feira, março 09, 2016



Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho,
Nem sequer sozinho...

Bebe a verdade
E a liberdade,
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné,
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
E ninguém sabe porquê.

Mas, enfim, é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé:

Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.

UM SONHADOR NOSTÁLGICO DO
ABATIMENTO E DA DECADÊNCIA.


Isto escrevia o Fernando Pessoa em 1935.

E como hoje é dia 9 de março de 2016... eu digo

Coitadinho
Do tiraninho
Já não manda
Mais no povinho

Vai para casa mui
De mansinho
Comer seu carapau
Alimadinho.

E já vai muito tarde!!!

quinta-feira, fevereiro 18, 2016




Não tenho muito tempo para o mar
para nadar no mar para pescar
para nadar e amar não tenho tempo
para outras coisas em ar: o frio aperta
os ossos doem o coração palpita.
Vou pela praia contra o vento mas
sei que tudo agora é sempre assim
contra a corrente o tempo o próprio pensamento
na areia mole os pés vão-se enterrando
já não batem o crawl como batiam
já não logram correr como corriam
e no entanto o tempo agora é de corrida
contra o tempo se corre contra o tempo
contra o tempo se corre e assim se morre
em frente ao mar olhando a desmedida
distância entre a tão curta vida e o amor dela
sobretudo ao crepúsculo quando o mar
nos interpela e nos apela e a caravela
do coração se põe de novo a navegar
mesmo sabendo que já não há partida
que as rimas em ar estão a acabar
e todo o tempo agora é contra o tempo
e mesmo sem correr só há corrida.


Manuel  Alegre - Canção do Tempo que Passa

sábado, fevereiro 06, 2016



O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.

Serve-se de palavras
por  ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.

Eugénio de Andrade - Quase Nada

segunda-feira, janeiro 25, 2016

    Imagem da Wikipedia

O Carnaval já começou!
O pior é  que vai durar cinco anos.
Grandes foliões!!!

quinta-feira, janeiro 21, 2016



No próximo domingo, dia 24, os portugueses  vão escolher um novo Presidente da República.

Eu já sei em quem votar.

Vou votar num Presidente que seja, de facto, de todos os portugueses.
Que respeite a Constituição.
Que seja culto.
Que não tenha ligações nefastas com o passado salazarento.
Que não seja cata-vento.
Que não seja sonso.
Que nos leve com esperança e alegria para um novo tempo.

Faça como eu, é tão fácil. Não deixe que outros decidam por si.

quinta-feira, janeiro 14, 2016



Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casa essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas as casas dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm todo o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa  sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei - ó vida simples, problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo - Oh As Casas As Casas As Casas


quarta-feira, janeiro 06, 2016




Olho a sebe de versos que plantei
Ao longo do caminho dos meus dias:
Tristezas e alegrias
Enlaçadas
Como irmãs vegetais.
Silvas e alecrim...
O pior e o melhor que havia em mim,
Num abraço de arbustos fraternais.

Nada quero mudar dessa harmonia
De agruras e doçuras misturadas.
Pasmo é de ver a estranha maravilha.
Poeta que partilha
O coração magoado
Por presentes e opostas emoções,
Contemplo, deslumbrado,
O renque de vivências do passado,
Longo poema sem contradições.


Miguel Torga - Perspectiva

quinta-feira, dezembro 31, 2015



Feliz 2016!!!

domingo, dezembro 20, 2015

segunda-feira, dezembro 14, 2015



Regresso ao meu País.
Com esperança, com alegria. Encontro no olhar dos que me cercam o mesmo brilho, a mesma fé.
Para tudo ser, de facto, perfeito, só faltam 41 dias.
Vai ser outro Natal.

quarta-feira, dezembro 02, 2015


 
A verdade e a liberdade são como o Sol,  aparecem sempre.
 
 

quinta-feira, novembro 26, 2015

 


Finalmente  
 
 
 

sábado, agosto 22, 2015

sexta-feira, agosto 14, 2015


...

Que tenho eu a dizer
neste país
se um homem levanta os braços
e grita com os braços
o que de mais oculto havia
na secreta ternura de uma boca
que era a única boca do seu povo
Que posso eu fazer senão
daqui
deste deserto
em que persisto
chamar-lhe camarada.


António Ramos Rosa - Daqui deste deserto em que persisto (excerto)


sexta-feira, agosto 07, 2015


Calçada portuguesa - Cascais
 
 Sou a favor da calçada portuguesa porque é uma arte e, como tal, devia ser implementada e preservada.
 
Mas não é sobre a calçada portuguesa que vos quero falar. É, neste caso, o efeito provocado pelo desenho. Dá a impressão que o chão não é plano, mas ondulado. Ou seja uma ilusão de óptica que nos faz ver uma coisa que não é a realidade. As ditas, podem surgir naturalmente ou serem criadas por astúcias visuais específicas.
 
Acontece o mesmo com as palavras, com números.
 
Há pessoas que têm um talento para a prestidigitação, que é uma técnica de iludir o espectador com truques que dependem da rapidez e agilidade das mãos.
 
Como em todas as artes há pessoas sérias, honradas mas, lá está, também  existem os charlatães.
Charlatanismo deriva da apalavra italiana ciarlare , e significa exploração da credulidade pública, inculcando ou anunciando cura por meio secreto ou infalível oferecendo algo vantajoso sem o ser, realmente.
 
Em português também lhes chamamos parlapatões
 
Modernamente, o charlatanismo, pode ser aplicado em todas as áreas da economia nacional.
 
Qualquer semelhança com os dados estatísticos fornecidos pelo nosso governo é pura coincidência.
 
 

sexta-feira, julho 31, 2015


Capelinha de S. Sebastião - Ericeira
 
Nestes dias de Verão, nesta zona, há, por vezes, dias em que uma neblina cai densa sobre tudo,
deixando uma espécie de nostalgia.
São, não direi dias, mas momentos de bruma em que nos recolhemos dentro de nós,
E, silenciosos, ficamos à espera do Sol e da cor que vem com ele.
De alegria, de calor, do barulho das crianças.
Eu disse Sol!
Porque de D. Sebastiões estamos fartíssimos.
 

quinta-feira, julho 23, 2015






O Verão também  é isto...

sábado, julho 18, 2015




Este ministro e um mentiroso
que agonia quando ele discursa
e se fosse só isso: bale sem jeito
às meias horas de seguida - e não pára!

Bem aventurados os duros de ouvido
a quem o céu abrirá as portas
desliguem por favor o microfone
ou então tirem o país da ficha. 


Fernando Assis Pacheco

domingo, julho 12, 2015


Imagem da Wikipedia
 
A situação na Grécia diz respeito a todos nós. Ninguém pode, nem deve, ficar indiferente.
Nestas negociações já se ouviu de tudo. Chegaram a dizer que para negociar devia ser entre adultos.
Um remoque ofensivo muito despropositado.
E, lamentavelmente, hoje verificamos que quem está a ser tratado como criança, são os gregos.
Ou aceitam o que lhes é exigido conta todo o bom senso, ou levam "tau-tau".
Mas afinal quem é que manda nos gregos e nos outros países debaixo de fogo?
Afinal para que é que temos eleições?
Afinal para que é que temos presidente, primeiro ministro, ministros, por aí fora.
Afinal o que é isso de Democracia?