segunda-feira, julho 09, 2007

Carlos Botelho - Cais das Colunas 1932


Carlos Botelho - Cais das Colunas 1942


Carlos Botelho , pintor português (Lisboa 1899-1982).
Foi o pintor de Lisboa que retratou em tonalidades doces, despovoada e silenciosa.
A T. do Dias que Voam, há tempos , insurgiu-se por nos terem tirado o Cais das Colunas.
Eu também sinto a sua falta . Enquanto não o temos de volta , recordemo-lo através das pinturas de Carlos Botelho.

sábado, julho 07, 2007




Mais uma interpretação maravihosa da canção Summertime, de Gershwin, por Angélique Kidjo.

Com esta paisagem idílica do rio Tejo, em Constância, vos deixo desejando-vos um óptimo fim de semana.

sexta-feira, julho 06, 2007

A minha Amiga Carminda voltou a nomear-me, desta vez, para o "Blogue com Grelos" que me deixa enternecida e grata.

Como acontece, nestas nomeações, terei que escolher cinco blogues que se enquadrem na definição subjacente ao título.

As minhas escolhas vêm , a maior parte, de visitantes e amigas do Ludovicos Rex que visito com alguma assiduidade.

Elas que me perdoem a ousadia:

Querubim Peregrino

Era uma casa muito engraçada

Cantares de Amigo

Baobab

Bicho de conta


O "Blogue com Grelos" premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor."

E pronto, missão cumprida.

quinta-feira, julho 05, 2007

Uma criança perguntou O que é a erva? trazendo-ma nas suas mãos cheias;
Como poderia responder-lhe? eu que não sei mais do que ela.

Talvez seja a bandeira da minha índole, de matéria verde tecida.

Ou talvez seja o lenço do Senhor,
Uma perfumada prenda, uma lembrança que intencionalmente cai,
Com o nome do seu dono num dos cantos, para que ao vê-lo perguntemos
...............De quem é ?

Ou talvez a própria erva seja uma criança, um filho da vegetação.
...

Walt Whitman - Canto de mim mesmo VI (excerto)
(tradução de José Agostinho Baptista)

terça-feira, julho 03, 2007



É verão. Fluem abandonos.
Estão na sesta os arvoredos.
Por entre calores e sonos
tentilhões em ramos quedos.
.
Liberal a luz, no dia
abre um painel de centelhas:
e na água que esfuzia
mais de azul se azuleja.
.
Do céu fúlgido um cateto
cai em âmbar no pinhal.
Um aroma calado. E perto
transcorre um deus fluvial.
.
Entre a folhagem um tom
remoto de areias fulvas.
Amplo, o silêncio dispõe
ramagens, relvas e uvas.
.
No terraço, em ofertório
de carnação rosicler.
está pelo seu cabelo louro
atada ao sol a mulher.
.
Natália Correia - Verão
Castelo de Almourol










sexta-feira, junho 29, 2007





Desejo a todos um bom fim de semana.


Paolo Conte compôs e canta Via con me.



quarta-feira, junho 27, 2007

...
Não posso
ficar sentado.
Até logo.
Amanhã
ver-nos-emos.
Hoje tenho muitas
batalhas a vencer.
Muitas sombras
para destruir e dissipar.
Hoje não posso
estar contigo, tenho
de cumprir a minha obrigação
de luz:
calcorrear as ruas,
visitar as casas e os homens,
destruir
a escuridão. Tenho
que me repartir
até que tudo seja dia,
até que tudo seja claridade
e alegria na terra.

Pablo Neruda - excertos de Ode à Claridade.

Fotografia de um miradouro em Elvas.

terça-feira, junho 26, 2007

Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande a terra é larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há sol.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - O guardador de Rebanhos - XXVII

Fotografia tirada do Castelo de Juromenha, uma aldeia perto de Elvas. Tem uma paisagem belíssima com o rio Guadiana em destaque.

sábado, junho 23, 2007





Desejo-vos um bom fim de semana, com muito sol.
Trio Esperança cantando a capela: Gold herança.



quarta-feira, junho 20, 2007

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer .

Eugénio de Andrade - Urgentemente

sábado, junho 16, 2007

Meus amigos eis-me de volta ao Com Calma.

Durante este mês, em que estive ausente, este blogue foi nomeado com um Meme pelo Atento do MGomes e mais um Thinking Blog Award pelo Dias Que Voam.

São dois blogues que muito aprecio daí a minha enorme alegria.
Muito obrigada meus amigos.

Cumprindo o ritual irei dar a minha contribuição para o Meme, falando de José Rodrigues Miguéis e de Lisboa minha cidade.

José Rodrigues Miguéis nasceu em Lisboa em 1901 e morre em Nova Iorque em 1980.
Escreveu contos, romances, novelas e peças de teatro.
Páscoa Feliz - 1932 - foi distinguido com o Prémio Casa da Imprensa.
Leah e outras Histórias - 1958 - Prémio Camilo Castelo Branco.
Conheço, praticamente, toda a sua obra, mas o livro que mais me emociona é este Escola do Paraíso. Miguéis é um escritor de Lisboa, descreve-a com a saudade de um exilado, tornando-a mais bela aos nossos olhos




Na infância viveu entre o Castelo e a Sé.
São dele estas palavras tiradas deste Escola do Paraíso:
" O sol rutila, escorre-se como um mel pelos telhados, polvilha gloriosamente o Tejo, lago sereno, com velas brancas e vermelhas, de longe indolentes, distantes como nostalgia. E logo abaixo do Castelo, as traseiras encostam a São Tiago e aos Loyos."
"È Lisboa, uma realidade em si, e será preciso tê-la conhecido e vivido nela para bem a compreender e amar."
Vivi longos anos longe da minha cidade, por isso o compreendo.
E agora os nomeados para continuarem com este desafio tão interessante:
Quanto ao Thinking Blog Award, não faço mais nomeações por ter já feito da primeira vez.
A todos um bom fim de semana.




quinta-feira, maio 17, 2007

O meu cão

A minha cadela
Meus Amigos
Mais uma vez interrompo o Com Calma..., por algum tempo. Três semanas, quatro... não sei.
Preciso de disponibilidade de afecto para o fazer e, nesta altura, todo o meu afecto está concentrado numa pessoa que mais precisa dele.
Deixo aqui os meus queridos VLP*, que são uma ternura.
Levo-vos no coração.
Até lá. Fiquem bem.
(*VLP = Vira lata Puro)

segunda-feira, maio 14, 2007


Tinha os olhos abertos mas não via.
O corpo todo era saudade
de alguém que o modelara e não sabia
que o tocara de maio e claridade.
.
Parava o seu gesto onde pára tudo:
no limiar das coisas por saber;
- e ficara surdo e cego e mudo
para que tudo fosse grave no seu ser.
.
Eugénio de Andrade - O anjo de pedra

sábado, maio 12, 2007

Deixo-vos a beleza efémera da borboleta.
Um bom e descansado fim de semana para todos.

quinta-feira, maio 10, 2007




Quem pode impedir a Primavera
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à vida?
.
.
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
-Mudas comparsas no ritmo das estações -
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um mar infinito onde o arado
Abre caminhos misteriosos à seiva inquieta!
.
.
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos!
.
.
Quem ?..
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!
.
.
Rui Cinatti - (Quem pode impedir a Primavera)


terça-feira, maio 08, 2007

Contaram-me, quando era pequeno,
a história de várias estrelas,
não a história dos nomes que têm e não conhecem por nós,
sim uma história em que eram estrelas,
verdadeiras estrelas nem pregadas no céu.

Muitas vezes, ouvir contar foi só:
estar de cabeça pousada no peitoril da janela
a vê-las tremeluzir...
e tornarem-se mais salientes com o escurecer.

Muitas vezes, foi só
aceitar o frio e fechar a janela
- e, em pequeno, não era eu quem a fechava.

Jorge de Sena - Nocturnos III

sexta-feira, maio 04, 2007


Já que a Primavera não vem ter connosco, vamos nós ter com ela.
Bom fim de semana para todos.





Marvão, Alto Alentejo.
A origem do seu nome está ligada ao chefe mouro Maruan.
A paisagem é constrastante, entre os vales verdejantes e as imensas massas rochosas
na serra. Vale a pena o passeio. A paisagem é soberba.
Neste momento Marvão encontra-se em fase de remodelação das redes de electricidade, gás e TV Cabo, com todos os inconvenientes que isso acarreta. Portanto se decidir visitá-la deve levar calçado bem confortável e sólido. Há tanto para ver e tão bonito, que nem vai dar pelo incómodo.

quarta-feira, maio 02, 2007

Pombinha a correr...

Pombinha a correr muito...


Quem corre por gosto, não cansa.

terça-feira, maio 01, 2007

Cantar não é talvez suficiente.
Não porque não acendam de repente as noites
tuas palavras irmãs do fogo
mas só porque palavras são
apenas chama e vento.

Eu venho incomodar.
Trago palavras como bofetadas
e é inútil mandarem-me calar
porque a minha canção não fica no papel.
Eu venho tocar os sinos.
Planto espadas e transformo destinos.

Os homens ouvem-me cantar
e a pele
dos homens fica arrepiada.
E depois é madrugada
dentro dos homens onde ponho
uma espingarda e um sonho.

E é inútil mandarem-me calar.
De certo modo sou um guerrilheiro
que traz a tiracolo
uma espingarda carregada de poemas
ou se preferem sou um marinheiro
que traz o mar ao colo
e meteu um navio pela terra dentro
e pendurou depois no vento
uma canção.

Já disse: planto espadas
e transformo destinos.
E para isso basta-me tocar os sinos
que cada homem tem no coração.

Manuel Alegre - Apresentação - Praça da Canção I

Fotografia- Igreja de S.João Baptista e Torre de Menagem em Castelo de Vide