sábado, fevereiro 06, 2016



O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.

Serve-se de palavras
por  ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.

Eugénio de Andrade - Quase Nada

segunda-feira, janeiro 25, 2016

    Imagem da Wikipedia

O Carnaval já começou!
O pior é  que vai durar cinco anos.
Grandes foliões!!!

quinta-feira, janeiro 21, 2016



No próximo domingo, dia 24, os portugueses  vão escolher um novo Presidente da República.

Eu já sei em quem votar.

Vou votar num Presidente que seja, de facto, de todos os portugueses.
Que respeite a Constituição.
Que seja culto.
Que não tenha ligações nefastas com o passado salazarento.
Que não seja cata-vento.
Que não seja sonso.
Que nos leve com esperança e alegria para um novo tempo.

Faça como eu, é tão fácil. Não deixe que outros decidam por si.

quinta-feira, janeiro 14, 2016



Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casa essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas as casas dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm todo o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa  sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei - ó vida simples, problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo - Oh As Casas As Casas As Casas


quarta-feira, janeiro 06, 2016




Olho a sebe de versos que plantei
Ao longo do caminho dos meus dias:
Tristezas e alegrias
Enlaçadas
Como irmãs vegetais.
Silvas e alecrim...
O pior e o melhor que havia em mim,
Num abraço de arbustos fraternais.

Nada quero mudar dessa harmonia
De agruras e doçuras misturadas.
Pasmo é de ver a estranha maravilha.
Poeta que partilha
O coração magoado
Por presentes e opostas emoções,
Contemplo, deslumbrado,
O renque de vivências do passado,
Longo poema sem contradições.


Miguel Torga - Perspectiva

quinta-feira, dezembro 31, 2015