sábado, dezembro 20, 2014

 
FELIZ NATAL
 
 


Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos.
Humanas alvoradas...
A divindade é o menos.


Miguel Torga - Natal

sexta-feira, dezembro 12, 2014



Por do Sol - Ericeira Dez.2014
 
Um passeio desde o miradouro de Ribeira d'Ilhas até à Foz do Lizandro.
Muitos, como eu, apontando as suas máquinas fotográficas para o sol e vê-lo mergulhar silenciosamente no mar. É só um momento. Mas muito belo.
 
 

sexta-feira, dezembro 05, 2014



Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
com um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

Cecília Meireles

terça-feira, dezembro 02, 2014

Imagem da Wikipedia


Eu tive um sonho, pior, um pesadelo.

Sonhei que estávamos em 2011 e um enorme disco voador desceu em Lisboa.

Depois do susto inicial verificámos que de dentro da nave saíam seres parecidos com os humanos.
A única diferença era no andar. Todos muito firmes e hirtos, magros alguns mesmo  esquálidos.

Um deles até trazia uma Zundap.

 A roupa que traziam não primava pela elegância, principalmente nas mulheres. Mal penteadas, mal vestidas. Havia uma  que se destacava por ser loira, de cabelos compridos e ralos, mas de um loiro que já não se usa. Parecia saída dos anos 50, quando as pessoas pobres pintavam o cabelo com água oxigenada 20 volumes.

Dava a ideia que estes extraterrestres tinham visitado a terra nessa altura e continuaram nesse registo,
quando Salazar ainda vivia.

Neste sonho-pesadelo,  sentimos todos uma certa desconfiança e o melhor mesmo era verificar se eles eram ou não humanos.  A classe médica verificou que não tinham nem cérebro nem coração, mas um óptimo sistema digestivo: comiam tudo.

A verdade é que, passado pouco tempo, todos estavam mais gordos, luzidios. Um deles até parecia um berlinde pois era muito baixinho.

Como não eram humanos, deviam ter, entre eles, qualquer sistema de comunicação. Mas, ou porque o planeta de onde vieram não era muito inteligente, ou porque os sistemas eléctricos estavam avariados, nunca se entendiam. Cada um dizia sua coisa. Um autêntico charivari!

Mas tinham um ritual. Talvez para dar a ilusão do quanto eram modernos.  De vez em quando tiravam a gravata (casual fridays), abriam os botões da camisa até ao umbigo  e deixavam à vista a pilosidade ancestral...(ugh)... depois levantavam a perna direita arqueada batiam com força no chão, pum! levantavam a perna esquerda, outra vez pum!, ao mesmo tempo escancaravam a boca de onde surgiam uns dentes enormes, brancos e muito brilhantes e ululavam Uh! Uh! Uh!

Aqui acordei verdadeiramente horrorizada.


sexta-feira, novembro 28, 2014



Faço o que posso, e posso combater.
Um verso que resiste é um bom soldado.
Quando a noite é maior, o céu deixa-se ver
À pequenina luz dum pirilampo alado.

Move montanhas, abre o mar imenso
A fé que não hesita.
Cai uma gota no terror suspenso,
E o sal das amarguras precipita.

Sozinho na trincheira, vou cantando,
E o inimigo ouve-me, de lá...
Ouve e não sabe quando
O poder do meu fogo acabará.


Miguel Torga - Posição


terça-feira, novembro 25, 2014

 
 
 
 
Imagem da Wikipedia

Há muitos anos tive um colega alentejano que se dizia caçador de coelhos mas não usava arma nenhuma, só um saco, cenouras e pimenta. 

-Oh,senhor Guerra (era o seu nome), como é que isso é possível?

-Muito fácil! Vou para o campo , procuro a toca do coelho e ponho-lhe a cenoura, bem grande e rija, à entrada da toca e espero.
E não espero muito. O coelho vê a cenoura e tenta leva-la para dentro mas como ela é muito grande não consegue e tenta come-la mesmo ali. Mas a cenoura é muito rija e com o esforço fecha os olhos. Aí, quando ele fecha os olhos seguro-o pelas orelhas e meto-o no saco.

-Essa é boa! E para que serve a pimenta?

-Essa é a segunda maneira de caçar coelhos. Muito fácil.
O mesmo processo anterior, só que em vez da cenoura ponho pimenta. O coelho sai da toca, cheira a pimenta e espirra. Atchim! Quando ele espirra, automaticamente, fecha os olhos e pronto, já sabem como é: agarro-o pelas orelhas e...saco com ele.

Moral da história: Cuidado com as cenouras muito grandes e a pimenta...ou areia que nos atiram para os olhos.

Tenham uma boa semana.

sexta-feira, novembro 21, 2014




É preciso de vez em quando ser infeliz.
Para se poder ser natural...


Fernando Pessoa/Alberto Caeiro