quarta-feira, janeiro 29, 2014



Perto de Arraiolos - Alentejo
 
 
Sim, olhar a paisagem...
Olhá-la como um bicho
Ou como um lago.
Olhá-la neste vago
sentimento
De pasmo e transparência.
Olhá-la na decência
Original,
Com olhos de inocência
E de cristal.
 
 
Miguel Torga - Reflexão
 
 
 
 
 

sexta-feira, janeiro 24, 2014




Por que está "esta gente" tão feliz?

E escrevo "esta gente" como leio em qualquer jornal, em artigos de opinião. Parece que se chegou a um acordo tácito na forma de os descrever.
Porém também se poderiam chamar de Robin Wood, mas ao contrário, invertidos.
Explicando: Robin Wood roubava aos ricos para dar aos pobres.  "Esta gente" rouba aos pobres para dar aos ricos.

E voltamos à questão: Por que está "esta gente" tão alegre, feliz mesmo, a inchar pelas costuras?

Olho à minha volta e só vejo pessoas com queixas amargas. Foram espoliadas nos seus bens mas, principalmente, na sua dignidade e na sua boa-fé.

Conseguir este "grande feito" em que só eles estão felizes e o resto da portugueses, não?
Chega a ser acintoso mostrar tanta felicidade.. Para eles estarem assim, há muita gente na miséria, sem meios de sobrevivência, sem os seus negócios, sem os seus filhos que emigraram.

Portanto, e tal como as hienas que riem, riem de quê?



segunda-feira, janeiro 20, 2014


Ericeira (quando está bom tempo)
 
"Que nada nos defina.
 Que nada nos sujeite.
 Que a liberdade seja a nossa própria substância."
 
Simone de Beauvoir
 

quarta-feira, janeiro 15, 2014




Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer coisa
Que tem que ver com haver gente que pensa...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes, isto até dar por mim
A perguntar-me coisas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...

Que pensará isto daquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver que tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas coisas,
Deixaria de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos...
Entristecia e ficava às escuras,
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.


Fernando Pessoa/Alberto Caeiro



sábado, janeiro 11, 2014




...
És frio, Inverno,
e os teus cachos
de neve negra e água
no telhado
perfuram as casas
como agulhas.
Nada te detém.
Começam
os ataques de tosse, saem as crianças
com os sapatos encharcados,
nas camas a febre
é como
a vela de um navio
incendiada,
a cidade dos pobres
navegando para a morte,
a mina
escorregadia,
a batalha do vento.
...

Pablo Neruda - Ode Ao Vento  (excerto)

quarta-feira, janeiro 08, 2014




A Micas, muito aborrecida e cheia de frio, à espera que a chuva passe.

domingo, janeiro 05, 2014

 
 
 


Eusébio não morreu. Passou para a Eternidade.
 
 

sexta-feira, janeiro 03, 2014