terça-feira, abril 30, 2013




Querido Pai Natal
 
Aproveito a moda epistolar que, neste momento, circula em Portugal, para eu também te enviar uma carta para te fazer três pedidos.
 
Eu sei que ainda falta muito tempo para o Natal, mas como nessa altura deverás andar muito ocupado e dada a urgência do assunto tomei a liberdade de me adiantar.
 
O primeiro pedido é para aquele senhor que está em Belém.
Como vem dando sinais de se encontrar muito fatigado eu pedia-te, meu querido Pai Natal, que o pusesses a ver estrelas a sério. Quer dizer, que lhe ofereças uma nave espacial e especial onde ele possa viajar por esse espaço cósmico com todo o conforto e que depois regresse em paz ao seu refúgio para aí se dedicar a escrever prefácios, posfácios, adendas, notas de rodapé, bulas e o que melhor lhe aprouver.
 
O segundo pedido é para aqueles rapazes do Governo.
Eles não se estão a portar muito bem, pois vão tirando o pouco dinheiro que os portugueses têm e depois disto não se vê melhoria nenhuma. Cada vez estamos mais endividados.
Para onde irá o nosso rico dinheiro? Adiante.
Portanto para eles pedia uns patins bem velozes para que fossem brincar aos ministros para outro lado.
 
E o terceiro pedido é mesmo para os pobres portugueses que sofrem todas estas malfeitorias.
Para eles eu pedia um despertador, daqueles antigos, com uma campainha ensurdecedora.
Para que acordem de vez.
 
Se satisfizeres estes meus pedidos os Portugueses ficar-te-ão eternamente gratos e eu prometo que nunca mais te penduro pelo pescoço na varanda.
 
Beijinhos para ti e para a Mãe Natal.
 
PS Se vieres a Portugal passar férias, tem cuidado com a carteira. Andam por aí à solta muitos "amigos do alheio".
 
Mais beijinhos e muito obrigada.
 
 
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sexta-feira, abril 26, 2013

 
Bufo Real (Bubo bubo)

Imagem tirada da Wikipedia


 
Esta simpática ave, difícil de encontrar por ter hábitos nocturnos, mas fácil de identificar pelos característicos sons uh uh uh.
É a maior das rapinas com os inconfundíveis penachos sobre a cabeça que parecem orelhas e uns olhos de íris cor de laranja.
 
Apesar de não ver a relação com estas aves, havia, no tempo do ditador Salazar, um grupo de pessoas que eram conhecidas pelo epíteto de "Bufos". Seres inqualificáveis que denunciavam, por dinheiro, pouquíssimo dinheiro,  conhecidos, desconhecidos às vezes até familiares sobre actividades reais ou não, dessas pessoas contra o regime fascista.
 
A miséria era muita, a ignorância ainda maior mas nada justificava a degradação moral destes "Bufos". Porque é preciso atingir o"ground zero" da dignidade humana  para alguém se dedicar à sordidez de denunciar outro ser humano só porque pensava diferente.
 
Uma vez "Bufo" toda a vida "Bufo".
 
E não há idas a Roma e pedir a bênção ao Papa que limpe essa nódoa tão negra que têm na alma.
E as pessoas que têm a alma enlameada, geralmente são más, vingativas, mesquinhas e avarentas que, tudo junto, dá uma enorme estupidez.
 
O pior é que essas pessoas não foram tocadas pelo dia límpido e claro : 25 de Abril de 1974, e ainda existem.
 


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quinta-feira, abril 25, 2013

 


25 de Abril Sempre


Grândola, vila morena
Terra da Fraternidade
O Povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade
 
Letra e música de José Afonso


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terça-feira, abril 23, 2013

 


Vivi num bairro lisboeta perto da Estefânia, praticamente nasci lá.
Todas as pessoas se conheciam e se cumprimentavam pelo seu nome próprio.
Naquela altura as crianças acompanhavam os pais para onde quer que eles fossem. Nas compras, nas visitas aos amigos, nas festas casamentos, baptisados, cinema, teatro (de revista que os meus pais adoravam), nos bailes da Colectividade (que eu adorava, porque se se podia escorregar, ou seja patinar sem patins), velórios e enterros.
E é destes que vos quero falar.
 
Os velórios ainda se faziam em casa das pessoas.  Escolhia-se a maior sala, tiravam-se os móveis e ordenavam-se cadeiras ao longo da parede. As pessoas falavam muito baixo e eram servidos bolinhos secos e vinho doce.
E como não podia deixar de ser exaltavam-se as qualidades do defunto. Graças àquele defeito genético, muito português, naquele momento, todos os seus defeitos tinham desaparecido.
Em Portugal é preciso estar morto para se ser especial.
 
Foi o que aconteceu ao "não doutor" Relvas.
 
A Maioria decidiu  um voto de louvor ao ex-Ministro dos Assuntos Parlamentares. E, com esse voto, simbolicamente, atiraram o punhado de terra sobre o caixão.
Afinal ele não estava morto, estava era mal enterrado.
E teve direito às Solenes Exéquias.
Paz à sua  alma.
 

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sexta-feira, abril 19, 2013



A estratégia da aranha
 
Não sou muito dada a ter medo de bicharocos, mas as aranhas causam-me uma certa repulsa.
 
Aquela teia  muito linda e delicada, mas pegajosa, serve para apanhar os incautos insectos  que por ela passam.
Eles ficam ali a mexer-se convulsivamente até que a aranha lhes dê o golpe final com o seu veneno entorpecente. Não o come logo mas fica ali guardado para seu futuro alimento.
 
Este procedimento também me repugna.  Estão elas ali, tão sossegadinhas, de falinhas muito mansas, convidando-os para a sua melhor seda. E, catrapus, ficam lá presos. E não há nada que os salve.
 
Meus amigos, este texto tem muito de parábola.
Não nos deixemos enredar pelas teias que os políticos tecem. Pelas mentiras que usam para que os incautos caiam naquelas tretas. Para as mentiras que os actuais  desgovernantes deste pobre País, usaram para obter a maioria, que, pelos vistos, não lhes chega.
 
Dir-me-ão: É a política, estúpida!
 
Será, talvez. Nesse caso vou ali, num instantinho, vomitar.
 
 
 

terça-feira, abril 16, 2013

quinta-feira, abril 11, 2013

 

Isto vai meus amigos, isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.
 
Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro  é o tempo resistente.
 
Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor  que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.
 
O que é preciso é termos confiança
Se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
 
 
José Carlos Ary dos Santos - Futuro
 
 

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segunda-feira, abril 08, 2013


(imagem tirada da Wikipedia)

         Dr.Jekyll and Mister Hyde
 
 
Dr.Jekyll and Mister Hyde é um livro de ficção científica do escritor escocês Robert Louis Stevenson e foi publicado em 1886.
 
É uma história que se adapta à realidade portuguesa.
 
Tivemos, no nosso caso, um não doutor que dedicou cinco anos da sua vida a construir, a zelar,
a levar ao colo a sua outra personalidade.
Olhava para ela, sorridente , embevecido, contentinho e saltitante. Resumindo, orgulhoso.
Dizia mesmo para os seus botões: Ecce Homo!
Nadava em pública felicidade com a sua Criatura.
 
Mas, há sempre um mas, a Criatura desdenhou da sua criação. Ultrapassou-o. Aliás o Criador começava a ser incómodo, pouco ilustre, embora lustroso.
 
Então no dia 4  de Abril de 2013  a Criatura matou o Criador.
 
Tenho a certeza que este não vai ser o final da história.
 
 
 

quinta-feira, abril 04, 2013

 


O efeito dominó começou.
Agora só falta o resto.



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terça-feira, abril 02, 2013



Não saí do País , mas é como se tivesse saído.
Um trabalho moroso e longo ocupou todo o meu fim de semana.

E, quando volto, para além das cheias, mais nada se passou.

Onde anda o Governo? Foi levado por esses rios fora, na sua Arca de "não  é"?
Ou  as férias da Páscoa foram mais demoradas para eles?
Ou engasgaram-se com alguma amêndoa ?

Calculo que breve,breve saberemos.