sexta-feira, junho 29, 2012


Papoilas, algures, entre Fátima e Leiria



Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!


Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - Ficções do Interlúdio



Sexta feira, dia treze...


Imagem tirada da Wikipedia

Aumento dos impostos
Aumento da austeridade
Aumento do custo de vida
Aumento da pobreza

Deu em retracção económica ou seja , continua a não haver dinheiro.

Lógico intuitivo e nada transcendente.

Portanto- muito - devagarinho - qual -  destes pressupostos - é que - não - perceberam?


 

segunda-feira, junho 25, 2012





Erva do Caril ou Perpétua das areias


Cheira de facto a caril, mas não é usada no tradicional prato indiano. Tem múltiplas utilizações medicinais. Eu gosto dela porque é bonita. e, dizem que só pelo facto de cheirá-la melhora o bom humor. Por isso ela faz parte do meu jardim.





Sexta-feira, dia treze...





Diz-se que o Natal é quando um homem quer.
Infelizmente, para a maioria dos portugueses, todos os dias são sexta feira dia treze, ou como diz a minha vizinha, "seista feira dia treuze".
Em 12 de Junho de 1985 foi assinado o Tratado de Adesão de Portugal à CEE.
Foi um júbilo. Entrámos para o clube europeu a que pertencíamos.
Viveram-se momentos de grande entusiasmo. Uma esperança genuína apoderou-se de todos os portugueses.
Passados estes anos  todos e muito especialmente em 2011, entrámos para o clube dos BEE:

Boçalizar
Empobrecer
Emudecer

E com uma passividade nunca vista. Onde, meu Deus, as grandes manifestações de 200.000  pessoas?
Onde pára o direito à indignação? Onde estão os portugueses?
De certo que ainda não emigraram todos.
De certo que andam a por qualquer coisita na água.







sexta-feira, junho 22, 2012




Sino, coração da aldeia;
Coração, sino da gente;
um a sentir quando bate
outro a bater quando sente.


António Correia de Oliveira



terça-feira, junho 19, 2012



Aos Jacarandás de Lisboa

São eles que anunciam o verão.
Não sei de outra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
É um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas - irmão dos pássaros -
perder-me no ar.


Eugénio de Andrade  (Os Sulcos da Seda,2001)




domingo, junho 17, 2012