terça-feira, agosto 01, 2006



Nada a fazer, amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E no galho dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí me espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera,
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

Natália Correia - O espírito