sábado, outubro 15, 2011








 Artesanato português


Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga - Dies Irae

*

4 comentários:

Vieira Calado disse...

Muitos de nós sentem-se ratos!

Bom fim de semana!

alfacinha disse...

Indignados somos todos, somente os mais corajosos protestam.
cumprimentos de Antuérpia

christina disse...

Souvenirs,souvenirs....
bonne fin de semaine,bisous,amigos.

Ana Tapadas disse...

Querida Isabel,
num dia normal eu escolheria as ratoeiras e as fisgas...mas num dia especial como hoje, escolho a última fotografia que é um encanto.
O poema de Torga é magnífico.

Beijinho