sexta-feira, setembro 06, 2013

 
 Ericeira


Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo nos cai
em cima. Depois
ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam.
Não lhes sei o nome. Uma
ou outra parece-se comigo.
Quero eu dizer: com o que fui
quando cheguei a ser
luminosa presença da graça,
ou da alegria.
Um sorriso abre-se então
num verão antigo.
E dura, dura ainda.


Eugénio de Andrade - Há dias

3 comentários:

alfacinha disse...

olá Isabel
São as pequenas coisas da vida que dão o maior prazer,sem quebra-cabeças.
cumprimentos de ANTuérpia

Ana Tapadas disse...

Querida Isabel,
é assim mesmo! Belíssimo (tudo).
Nestes dias de recomeço, devemos acalentar a esperança, apesar de nuvens se aproximarem.

Bom Domingo e um beijinho grande.

vih disse...

ai que linda poesia! Sério, to encantada com seu blog haha o tema me lembrou muito uma poesia daqui, do Casimiro de Abreu, chamada "Meus Oito Anos". A infância deixa saudade né? Obg pela visita :D
Beijos rimados pra você :*