terça-feira, julho 18, 2006

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.`
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós. como uma cave.
Há uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Fernando Pessoa - Ficções de Interlúdio

2 comentários:

soslayo disse...

Bipede Implume:

É o nosso muito Querido Poeta Fernando Pessoa, a nos indicar que às vezes mesmo vendo, vimos aquilo que nos apetece! Grande Poeta. Obrigado por esta partilha.

Neide Multini disse...

Boa noite, querido...
Amei seu cantinho...e copiei esta linda imagem e o poema encantador de Fernando Pessoa.
Passa lá, pra conferir.
Abraços