terça-feira, fevereiro 24, 2009


Begónia de Inverno (Bergenia crassifolia)



Nenhuma voz me atinge por destino
dela, e nenhuma me procura ansiosa,
se o espaço cruzam num murmúrio fino
ou gritam seu destino, a mais formosa

é sempre aquela que eu encontro agora,
apenas porque a encontro e por mais nada.
E para ouvi-las não existo, embora
as ouça claramente, na humilhada,

ténue, profunda, vasta e dolorosa,
conquanto doce, humanidade alheia,
que em mim se alberga tímida e receosa.

Assim se escutam vozes. Delicada,
sopra no espírito a formosa ideia,
e encrespam-se as palavras na alvorada.

Jorge de Sena - as evidências (XIV)

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6 comentários:

Ana Tapadas disse...

Depois de ter andado por aí absorvendo os primeiros raios de sol. Depois de ter preparado avaliações intercalares. Depois de dar um pouco de atenção a todos ...cá estou!
Sabes tanto sobre plantas/flores!Que nomes maravilhosos. E eu que levei anos a declinar Latim...
Um beijinho e tudo de bom convosco.

Janaina Amado disse...

Senti o cheiro destas begônias, juro! ("Begônias" como escrevemos aqui no Brasil, aliás, como escrevíamos: como escreveremos agora essa palavra, vocês e nós?!) - lindas as fotos, lindo o soneto!
PS - Obrigada pelas explicações, Isabel, já lá está o teu selinho.

Cristina disse...

O tempo sempre frio e cinzento,esto cansado.
Vivamente o Portugal!!!
Grande abraço.

Bipede Implume disse...

Olá minhas amigas

Ana
Janaína
Cristina

É com flores que agradeço o vosso carinho. Beijinhos e bom fim de semana.

ADRIANO NUNES disse...

Isabel,


Que poema belíssimo! Amei mesmo e profundissimamente!


Abraço forte!
Adriano Nunes

Bipede Implume disse...

Obrigada Adriano
Exactamente o mesmo sentimento que eu sinto em relação a este poema e,em geral, a toda a poesia de Jorge de Sena.
Um grande abraço para ti também meu amigo.