sexta-feira, maio 11, 2012




Nada melhor depois de uma boa refeição do que um café para completar o que foi,principalmente, um bom convívio, um momento de descanso e o prazer de uma boa companhia.

Aliás, ir beber uma "bica" foi sempre sinónimo de descontracção entre amigos. Um exercício para aliviar a tensão do dia a dia.

No meu bairro, tenho muitas vizinhas que se encontram no café mais próximo para beber o seu cafézinho e também para arejar ideias. Mas isto era há uns tempos atrás. A maldita da crise aí está para o impedir. Não só o café perdeu clientes, como elas também perderam aquele momento de lazer.
Tudo mau.

Confesso que já estou muito farta desta crise. Não pela crise em si, mas pelo que de vil, torpe, injusta se revelou.

Eu explico. Pedem-nos imensos sacrifícios em nome da crise que não provocámos. Que gastámos demais. Que comprámos casas. Pois comprámos. As rendas que eram pedidas eram maiores que o empréstimo dos bancos.  Logo o bom senso era comprar porque a casa sempre viria a ser nossa.
Vão, aos mais velhos, que trabalharam uma vida e  descontaram,  sonegar aquilo a que têm direito.

A minha mãe sempre me ensinou que o exemplo  vem de cima. E assim foi ao longo da sua vida. Mas o que vemos nós?
O exemplo devia vir do Estado, mas se repararem bem,  está cada vez mais gordo e não estou a falar metaforicamente.

Não é a crise que está a tornar endémica esta tibieza, este falar baixinho, este olhar desconfiado para cada esquina.  É a maneira como nos é imposta.

Os portugueses são melhores do que isto.






3 comentários:

alfacinha disse...

Olá Isabel
Encontro-me como estrangeiro muito longe da realidade portuguesa no seu país. No entanto entendo bem a sua inquietação.
Cumprimentos de Antuérpia

cores e outros amores disse...

Resta-nos dar voltas à cabeça, procurar bem fundo dentro de nós a forma criativa como podemos aguentar/superar esta situação sem perder o sorriso, tentando manter também o sorriso dos que nos rodeiam. Este teu espaço é uma ajuda... as cores, as palavras, as flores... uma inspiração! Obrigada, Isabel!

Ana Tapadas disse...

Querida Isabel,
Tens tanta razão!
Obrigada pela humanidade de o expressares aqui!
Hoje é Domingo? Não sei...trabalho há 36 anos e estou a trabalhar ainda agora. Preparei-me tanto quanto me pediram (talvez até mais)e escravizaram-me. Os romanos fizeram o mesmo aos pedagogos gregos...

Beijinho e boa semana.