sexta-feira, novembro 28, 2014



Faço o que posso, e posso combater.
Um verso que resiste é um bom soldado.
Quando a noite é maior, o céu deixa-se ver
À pequenina luz dum pirilampo alado.

Move montanhas, abre o mar imenso
A fé que não hesita.
Cai uma gota no terror suspenso,
E o sal das amarguras precipita.

Sozinho na trincheira, vou cantando,
E o inimigo ouve-me, de lá...
Ouve e não sabe quando
O poder do meu fogo acabará.


Miguel Torga - Posição


2 comentários:

alfacinha disse...

Olá Isabel,
É verdade, durante a grande guerra houve um momento que o terror nas trincheiras foi parado pelos cantos natalícios. O Miguel Torga sabe relata-lo numa maneira comovida.
Cumprimentos de Antuérpia

Ana Tapadas disse...

Querida Isabel,
do fundo do meu cansaço, só posso dizer-te: grande Torga! (Para ilustrar a tua bela foto e animar aquela que faz mais um serão de correcção de testes).

Beijinho grande