quarta-feira, julho 18, 2007

Aprendeu a separar o nocturno zinabre
do transumante desejo e poro a poro o dia
larga sobre a pele os perfumes da terra
e o tempo cobre-se de cardos em cinza

tem o olhar escondido na inquietação da luz
guarda no peito o sossego dormente das pedras
um ombro de sombra dá-lhe frescor à boca

mas se ao morrer o abrissem ao meio
nada encontrariam
nem vísceras nem ossos nem sangue
apenas poalha de água
e a dor da infindável travessia

Al Berto (1948-1997) - O Medo

5 comentários:

Ludovicus Rex disse...

Não foi a libertação do medo, mas o equilíbrio do medo, que tornou possível a sobrevivência da nossa civilização...

Bipede Implume disse...

É uma teoria muito plausível, caro Ludo.
Viver também é superar todos os nossos pequenos e grandes medos.
Grande abraço.

Maria Faia disse...

Olá,

Já dizia Pitágoras que " O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos".

Beijo

Té la mà Maria - Reus disse...

muy bella imagen y muy buena foto, asi como poema explendido

felicidades desde Reus Catalunya

obrigado !!

Carminda Pinho disse...

Isabel, concordo contigo quando dizes que: viver também é superar todos os nossos medos.
Confesso que não conheço quase nada do Al Berto, mas gostei deste poema.
Beijos