terça-feira, julho 03, 2007



É verão. Fluem abandonos.
Estão na sesta os arvoredos.
Por entre calores e sonos
tentilhões em ramos quedos.
.
Liberal a luz, no dia
abre um painel de centelhas:
e na água que esfuzia
mais de azul se azuleja.
.
Do céu fúlgido um cateto
cai em âmbar no pinhal.
Um aroma calado. E perto
transcorre um deus fluvial.
.
Entre a folhagem um tom
remoto de areias fulvas.
Amplo, o silêncio dispõe
ramagens, relvas e uvas.
.
No terraço, em ofertório
de carnação rosicler.
está pelo seu cabelo louro
atada ao sol a mulher.
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Natália Correia - Verão
Castelo de Almourol