sexta-feira, outubro 24, 2008




Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há ninguém.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.

Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.

Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!

As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!

Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

Almada Negreiros - A Flor

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5 comentários:

Cristina disse...

Lindo, lindo!
Bom fim de semana et grande abraço.

Meg disse...

Isabel,

Lindo e comovente este belo texto de Almada Negreiros. E belas as flores... como sempre.
Um bom fim de semana.
Um abraço

Ana Tapadas disse...

Em adolescente sabia de cor este texto ... de tal modo gosto dele! Que bom vê-lo por aqui, assim, inesperadamente!
Vês: imagino-te arquitecta...por dentro da tua grande sensibilidade!
Que bom que tens o tempo de nos deixares ver/ler os teus belos «posts».
Obrigada, sempre.

Ana Tapadas disse...

Correndo, correndo...voltei para te desejar boa noite.
Finalmente, chove sobre este Alentejo sedento...

Bipede Implume disse...

Minhas Amigas

Cristina
Meg
Ana

Começo esta semana um pouco mais tarde mas feliz por ter a vossa companhia.
Obrigada.
Beijinhos.