sexta-feira, maio 01, 2009


A minha amiga Verdinha é belga e tem como tradição festejar o 1º de Maio, oferecendo esta linda flor, muguet ou lírio do vale, para que a felicidade nos acompanhe ao longo do ano.
Agradeço muito e desejo a todos, mesmo não sendo nossa tradição, muita felicidade.



De criança sempre gostei de canas
e roubava-as do rio
ainda verdes.
Deixava-as depois escondidas ao sol durante todo o verão
e recolhia-as, ligeiras,
como o sussurro dos mosquitos.

Quando no inverno
os ossos estalavam de frio
e os gatos tossiam sobre o damasqueiro
corria até ao sotão
e metia as mãos no meio das canas quentes
ainda com todo aquele sol em cima.

Tonino Guerra (1920) - Canto Décimo Terceiro
(Trad. de Mário Rui Oliveira)

in Poemário Assírio&Alvim 2007


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9 comentários:

Maria Faia disse...

Querida Amiga,

Neste dia do Trabalhador queríamos sobretudo trabalho para todos, acabar com a miséria e instalar nas faces das gentes o sorriso do dever cumprido, do amanhã renovado.

Uum beijo amigo para ti, com votos de feliz Dia do Trabalhador,

Maria Faia

Cristina disse...

Feliz dia do trabalhador, amigos,e bom fim de semana.
Grande abraço.

Ana Tapadas disse...

Feliz fim-de-semana!
Este poema de Tonino Guerra é tão suave, tem aquele ar de «pequena história» que todos os poemas deles têm. Também gosto deste poeta, mais que do cineasta.
Há dois anos levámos duas alunas à Fundação T.G., pois ganharam um prémio de guionista para curta-metragem. A Romagna como toda a Itália é linda.
Boa jardinagem e aqui te fica outro poema dele.


CANTO DÉCIMO PRIMEIRO

Anteontem primeiro domingo de Novembro
a névoa podia-se cortar à faca.
As árvores brancas
da geada e as estradas e planícies
pareciam cobertas por lençóis. Depois apareceu o sol
enxugando o universo e somente as sombras
permaneceram banhadas.


Pinela, o camponês, atava as cepas
com ervas secas que segurava entre as orelhas.
Enquanto trabalhava falei-lhe da cidade,
da minha vida que passara num relâmpago
do meu terror da morte.


Aí silenciou todos os rumores que fazia com as mãos
e só então se ouviu um pequeno pardal cantando ao longe.
Disse-me: medo porquê? A morte nem sequer é maçadora.
Apenas vem uma vez.

(1920)
(in "O Mel»,Tradução de Mário Rui de Oliveira)

assírio&alvim 2004


Um beijinho,
Ana

Je Vois la Vie en Vert disse...

Que bela surpresa !

Obrigada !

Beijinhos da

Verdinha

Vieira Calado disse...

Vivi em Paris e aí também cheguei a oferecer o muget a amigos...

É também tradição francesa.


Cumprimentos meus.

Carminda Pinho disse...

Que tradição bonita, Isabel.
Desconhecia que existisse.
Para ti amiga, todas as flores de Maio.:)

Beijinhos

comboio turbulento disse...

Com toda a calma...neste blogue é sempre Primavera. Bem podia chamar-se O PODER DAS FLORES ou FLOWER POWER :)

Meg disse...

Isabel,

Sabia dessa tradição, e acho-a muito bonita. O Muguet é uma das flores mais belas que conheço.
Como venho uma semana atrasada - o trabalho foi contínuo - espero que tenhas tido um bom 1º de Maio e um óptimo dia da Mãe.

Um beijo

Bipede Implume disse...

Olá meus queridos amigos

Maria Faia
Cristina
Ana
Verdinha
Vieira Calado
Carminda
Combóio turbulento
Meg

Não foram férias que me afastaram do blog.
Passei o fim de semana a tratar do meu jardim que o inverno tinha muito maltratado.
Como vinha cheia de energia resolvi fazer umas arrumações, aquelas que de vez em quando me dá gosto fazer: ou seja mudar as coisas de lugar.
O resultado era chegar à noite já sem grandes forças.
Mas hoje antecipei porque já estava cheia de saudades vossas e agradecer todo o vosso carinho.
Bem hajam e muitos beijinhos.