quinta-feira, abril 03, 2008
sábado, março 29, 2008
Os pastores de Virgílio tocavam avenas e outras cousas
E cantavam de amor literariamente
(Depois - eu nunca li Virgílio.
Para que o havia eu de ler?)
Mas os pastores de Virgílio, coitados, são Virgílio,
E a Natureza é bela e antiga.
Fernando Pessoa/Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos (Poema XI)
Meus amigos desejo-vos um bom fim de semana e não se esqueçam de ser muito felizes.
terça-feira, março 25, 2008
noite perfeita e embalada
folha a dolha,
noite transfigurada,
ó noite mais pequena do que as fontes,
pura alucinação da madrugada
-chegaste,
nem eu sei de que horizontes.
Hoje vens ao meu encontro
nimbada de astros,
alta e despida
de soluços e lágrimas e gritos
-ó minha noite, namorada
de vagabundos e aflitos.
Chegaste, noite minha,
de pálpebras descidas
leve no ar que respiramos,
nítida no ângulo das esquinas
-ó noite mais pequena do que a morte:
nas mãos abertas onde me fechaste
ponho meus versos e a própria sorte.
Eugénio de Andrade - Noite Transfigurada
sábado, março 22, 2008
quarta-feira, março 19, 2008
Sushi
Como já repararam hoje vou falar-vos da minha experiência na gastronomia japonesa.
Durante muito tempo recusei toda e qualquer tentativa de entrar, sequer, num restaurante
japonês. Comer peixe crú não estava nas minhas intenções mais próximas, nem distantes.
Até que um dia, em 1993, um casal amigo nos convidou, precisamente, para um , o Bonsai, na Rua da Rosa. Relutantemente aceitei. Com alguma coragem, confesso, experimentei de tudo um pouco. Não fiquei logo admiradora convicta, isso veio com o tempo.
Hoje a comida japonesa faz parte da minha vida.
A única recomendação que vos faço é a escolha do restaurante. O peixe tem que ser fresquíssimo. Quando é fresco não cheira a peixe. Quando o atum tem côr castanha, desconfiem porque não está fresco.
Depois de tantos anos, sou fiel ao primeiro restaurante que conheci, O Bonsai. Já experimentei outros, mas é neste que me sinto bem. Além do mais, a simpatia dos donos e de todo o pessoal transformam uma simples refeição numa experiência inesquecível.
Acreditem que vale a pena.
sexta-feira, março 14, 2008
quinta-feira, março 06, 2008
Fui buscar esta imagem ao blogue da Constança Lucas de talentos mil.A Amizade um bem de primeira necessidade nas nossas vidas.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner Andresen - Escuto
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Marginal de Maputo, a caminho da Costa do Sol.Volto a Moçambique com fotografias tiradas em 1997. Desta vez dedico-as à Meg com muita amizade, para mitigar um pouco a sua saudade.
Fotografias de Platero.
terça-feira, fevereiro 19, 2008
sábado, fevereiro 16, 2008
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
LIBERDADE
Ai que prazer
Não cumprir um dever,Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original,
E a brisa , essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta,
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Ai que prazer
Não cumprir um dever,Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original,
E a brisa , essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta,
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa /Cancioneiro
segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A minha amiga Carminda, generosamente, voltou a conceder-me um prémio. Desta vez dirigido a "Uma mulher que faz pensar".
Que grande responsabilidade. Já disse à Carminda que se eu existo é porque os meus amigos existem, logo são eles que me fazem pensar. Fico eternamente grata.
Para corresponder a esta prova de amizade, ofereço estas rosas, com muita amizade, à Carminda solidária, lutadora e fraterna.
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